Quem tem Pires, tem tudo. Ou, pelo menos, quase tudo. Ontem, a nova contratação coxeana “brindou” a Turma H com cinco golos e deu um contributo decisivo para o excelente resultado de 9-5 com que a Instituição encarnada presenteou a poderosa liderada por Miguel “Saviola” Magalhães. Dois anos depois da dolorosa derrota por 11-6, Os Coxos provaram que estão bem mais fortes, coesos e consistentes.
A vingança serviu-se fria e sem “Tricky”, perdido em parte incerta, e Rui Rocha, em prospecção laboral na capital. Assim, a turma perneta alinhou com Teixeira na baliza, Romano a fechar a defesa, no que foi ajudado por Marcos Sabino (consegue levantar 150kgs na máquina leg press, descobrimos ontem), Pires a ponta de lança e Luís Miguel a ajudar na transição.
Desde o início Os Coxos mostraram que estavam bem mais consistentes e poderosos do que no último encontro. Pouco a pouco, a velocidade de Sabino e Pires foi fazendo mossa na defesa contrária, e a Turma H vacilou. Não houve golos, mas a posse de bola e as ocasiões de perigo eram todas na mesma baliza. Em toques curtos e tabelas vistosas, Os Coxos ameaçavam e chegaram ao minuto 10′ com claro ascendente sobre o adversário.
Foi por isso com algum espanto que a Turma chegou à vantagem – primeiro num remate de Saviola, que embateu na perna de um defesa e escapou às mãos de Teixeira (até aí, ainda não tinha feito qualquer defesa) e, depois, num contra-ataque rápido. Com Teixeira fora da baliza, foi Pires (à altura lesionado) a sofrer o 2-0. Os Coxos começavam a desanimar.
Pensava-se, pelo menos. Porque, pouco depois, Sabino isolava Pires para este reduzir a desvantagem. E, minutos depois, era Luís a passar a bola a Sabino para este empatar a contenda. Jogo igualado e hora de trocar de campo: os jogadores coxeanos estavam fisicamente devastados e Teixeira tinha de lavar as mãos, que tinham acumulado muito pó durante a primeira meia hora.
No reatamento, Os Coxos mostraram fibra. Luís teve uma jogada fantástica e, perante a baliza deserta, Romano fez o 3-1. Foi a altura em que Pires abriu o livro: em dois belos lances, colocou o marcador em 5-2 e quase selou a partida com vitória coxeana. Rápido, incisivo e letal, o ex-atoladinho provou que pode ser o ponta-de-lança de que Os Coxos precisam, jogando bem de costas para a baliza, tabelando e chutando sem cerimónias. Não é para todos, não senhora.
A Turma H reagiu, mas nunca o fez de forma consistente. É verdade que Teixeira foi chamado a aplicar-se por várias vezes, mas quando um erro defensivo permitiu o 5-3, foram Os Coxos que se galvanizaram e chegaram ao 6-3, por intermédio de… Pires. E quando a Turma H voltou a reduzir a desvantagem, coube a Luís aproveitar um falhanço do guarda-redes para colocar o marcador em 7-4. A malapata da Turma H parecia prestes a ser quebrada.
É verdade que Os Coxos nunca trocaram muito bem a bola, mas compensaram a pressa com acutilância no ataque e um volume de jogo ofensivo que não se via há muito. Apesar de a ausência de Phillipe se sentir, a qualidade técnica de Luís – cada vez mais primorosa, depois de ter ultrapassado os problemas de confiança que se sentiram nos primeiros jogos – aliada a uma força física sem igual de Sabino e um Teixeira monstruoso garantem que estes são, sem sombra de dúvida, os melhores Coxos de sempre. Pires, o terrível, é a cereja no topo do bolo.
Até ao final, ainda houve tempo para mais um golo da turma H e… mais dois tentos de Pires. Num dos lances, o atacante de Valpaços fugiu pela direita, driblou um jogador, encostou à direita e matou o guarda-redes com um tiro cruzado fulminante. Querem mais?
No segundo jogo de uma época que ainda vai curta, Os Coxos confirmaram que estão mais fortes que nunca e que as expectativas dos adeptos têm razão de ser. Com “Tricky” e Rui em campo (bom, pelo menos um deles…), a turma perneta pode chegar a cumes nunca antes atingidos. A confirmar nas próximas partidas.
Alberto Teixeira: 15 – Reagiu mal no primeiro golo, algo ingrato numa primeira parte em que foi mero expectador. Na segunda parte, cumpriu sempre que foi chamado a intervir e enervou a Turma H com algumas saídas temerárias que taparam os caminhos da baliza. Como sempre, grande, feio e seguro.
Pedro Romano: 14 - Marcou um golo (fácil, admita-se) mas optou sempre por resguardar-se na defesa, receando o poderoso contra-ataque adversário. Quando apoiou o ataque, evitou sempre as fintas, fazendo remates que causaram calafrio ou passes por cima da defesa – a maior parte dos quais não resultou muito bem. Duas desatenções no final da segunda parte poderiam ter comprometido a nota, mas Teixeira safou.
Marcos Sabino: 15 - Forte e rápido como sempre, Sabino esteve, esta vez, menos clarividente nas opções de jogo. Perdeu algumas bolas em terreno proibido mas conseguiu compensar a falta de inspiração com muito suor, muitas bolas recuperadas e um pulmão enorme a correr atrás do adversário. Foi o némesis do loirinho da Turma H, que encontrou finalmente alguém que corre mais que ele. Um golo e duas assistências são mais três pontos a reter.
Luís Miguel: 16 - Rápido a pensar, criou problemas ao adversário sempre que conduziu a bola pelo meio. E, apesar de não ter demonstrado a exuberância de outros jogos, impôs sempre calma num jogo que pedia um ritmo variável e pausas ordenadas. Marcou dois e fez duas assistências – uma das quais fantástica, passando por um jogador, driblando o guarda-redes e dando a bola fácil para Romano marcar.
MVP – Hugo Pires: 17 - Apareceu cansado e deixou muitas vezes o seu adversário directo sem marcação, comprometendo a defesa coxeana. Mas na frente foi um verdadeiro diabo à solta: marcou cinco golos, deu dois a marcar, chutou, correu, fintou, fez tabelas e não deu um minuto de descanso ao guarda-redes. Quando Teixeira segurava o esférico, era Pires que procurava lá na frente. Sem dúvida, uma grande contratação.
Dezembro 10, 2011
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