Pedro Romano, O Memorável

Posted: Outubro 9, 2017 by Os Coxos in Vida interna Coxeana

 

O que nós queríamos aqui escrever era a crónica de como o Romano tinha levado a equipa d’Os Coxos à glória e conquista – finalmente! – do Troféu Moisés Martins. Ou de como tinha terminado a enésima maratona. Ou escrito a letra do novo mega hit agro-punk dos The Codice. Ou ainda de como tinha acertado mais um reforço para Os Coxos, com o qual seríamos finalmente campeões intergalácticos. Era sobre isso que nós queríamos escrever.

Em vez disso, as circunstâncias obrigam-nos a escrever um texto para recordar a vida do nosso amigo Pedro Romano. Um texto para tentar descrever, com poucas palavras que pouco dizem, o quanto nós gostávamos dele e a falta que ele nos vai fazer. Um texto para tentar contar como era equiparmo-nos no balneário com o Romano ao lado a imitar o Moisés Martins ou a dar palmadas no rabo ao Sabino. Um texto para relatar como era receber a táctica da boca do Mister Romano antes dos jogos e depois ouvi-lo a reclamar quando o Phillipe perdia a bola na defesa ou o Teixeira deixava entrar um frango.

Posto isso, cumpre-nos o dever de sermos honestos com os nossos adeptos e leitores. Este texto não vai fazer nada disso. O Pedro Romano era um rapaz único, extraordinário, e de longe o melhor Coxo entre Coxos. Tinha uma personalidade singular, um sentido de humor maravilhoso que oscilava entre o fino e o grosseiro, uma inteligência em campo e fora dele que não encontrou igual nos 77 jogos que fez com o emblema perneta ao peito. E, por isso, não seremos capazes de fielmente expor todas as razões pelas quais nós nunca iremos recuperar do seu desaparecimento.

A violência da notícia da morte inesperada do nosso Romano só encontra paralelo na tristeza que sentimos quando o Tricky nos deixou há dois anos. Mas se todos sabíamos que o jogo do Tricky estava a aproximar-se do seu cruel final, ninguém antecipou que o último capítulo das aventuras do Pedro Romano já tinha sido escrito.

E é daí que vem o choque que todos sentimos. Ninguém conseguiu ver que o Romano pudesse estar a sofrer interiormente. Provavelmente, porque mais ninguém conseguia ler o jogo como o Romano, nenhum de nós percebeu que algo estava mal. E para sempre ficaremos tristes também por não termos sido mais perspicazes. Por não termos oferecido ajuda. Por não termos estado mais presentes.

O Phillipe pode ter dado o nome aos Coxos e sido o capitão original; o Rui pode ter desenhado o emblema e lançado o blogue; o Sabino pode ser o melhor marcador; o Teixeira o Coxo mais importante (porque ninguém quer ir à baliza); e o Tricky o autor do golo mais genial. Mas o Romano era os Coxos. Era ele quem nos mantinha juntos, mesmo quando a vida nos levou para longe de Braga. Era ele que preservava o blogue e o Facebook, actualizava as estatísticas, marcava os amigáveis, organizava os torneios, e recrutava jogadores novos – porque a idade, o peso, e a distância não perdoam e os Coxos precisam de mais coxinhos agora do que nunca.

Por isso, nada mais será como dantes. E não poderia ser. O Tricky e o Romano deveriam continuar aqui. Somos muito novos para já estarmos a escrever elegias a camaradas caídos. O que nós queríamos era ter aqui os nossos amigos. Mas sem o Romano, como sem o Tricky, os Coxos não vão desaparecer. Seremos diferentes, é certo: um grupo mais triste e menos excepcional. Jogaremos com o peso de dois lutos precipitados. Mas daremos tudo.

Há 11 anos atrás, publicámos neste blog um texto dando algumas alcunhas aos nossos atletas. Nem todas se tornaram lei. O Daniel será para sempre o Desaparecido e não o Habilidoso. O Rui é o nosso Direttore e não o Generoso. Mas, nesse texto publicado a 18 de Julho por um jovem universitário com a vida inteira pela frente, demos ao Romano o cognome Memorável. E, tantos anos depois, esse é o melhor adjectivo para descrever o nosso número 5: memorável, isto é, digno de ficar na memória, célebre, notável.

As memórias do rapaz envergonhado que disse não à praxe, mas que se revelou no maior desbocado do curso. As memórias do rapaz demasiado inteligente que pedia para assinarem por ele em TAD e Psicologia e que, em troca, escrevia a fatia de leão dos trabalhos às disciplinas. O rapaz que deixou crescer a barba e o cabelo para melhor fazer de Moisés Martins para a performance de Técnicas (e que insistiu entrar na sala ao som de Sexy Boy de Shawn Michaels). O mesmo rapaz que depois da performance fez a barba mas deixou um bigode para ir jogar futebol nessa tarde.

Este é o mesmo rapaz que decidiu que seria um grande jornalista de Economia em Portugal e que, depois de se tornar num dos melhores jornalistas de Economia em Portugal, decidiu deixar de ser jornalista. O mesmo rapaz que oferecia a cama dele e ia dormir para o sofá quando tinha visitas em Lisboa. O mesmo rapaz que chegou às 22h30 a um jantar marcado para as 20h e pediu desculpas pelo “ligeiro atraso”, com um sorriso malandro.

Não, nada mais será como dantes e não é com um texto publicado neste blog que faremos justiça à memória do nosso Romano. Mas talvez seja um começo. Talvez consigamos vencer a próxima edição do Torneio e entregar a taça ao Romano. Talvez todos juntos consigamos manter o blog, combinar encontros e marcar torneios. Talvez todos juntos sejamos quase tão bons quanto o Romano era sozinho. E talvez na companhia uns dos outros recuperemos um pouco da magia que ele nos deixou.

Sim, porque sempre que o Sabino, o Teixeira, o Phillipe e o Rui se reunirem (juntamente com os Coxos que entretanto compuseram o resto da equipa), o Tricky e o Romano estarão por perto. Na verdade, eles estarão sempre lá connosco, pois eles fazem sempre parte do grupo original de malandros e bons rapazes que queriam divertir-se e jogar futebol. Um grupo de jovens cheios de vida que procuraram tornar a sua experiência académica ainda mais rica ao criarem uma Instituição que serve hoje de baluarte da eterna amizade que os une.

E já que estamos a falar em Romanos, não nos esqueçamos que os Coxos mantêm um Romano no plantel. O nosso Luís Miguel, irmão do Pedro e primeiro produto da cantera Coxeana, continuará a fazer parte do grupo e a garantir que o nome Romano é sinónimo de golos, talento e raça, como demonstram os seus 40 golos em 41 jogos. O Luís é o presente e futuro d’Os Coxos e hoje mais do que nunca queremos que ele saiba que é um dos nossos e que estaremos sempre ao lado dele e da sua família. Coxo uma vez, Coxo para sempre.

Ai Romano, Romano. Os Smiths cantam que há uma luz que nunca se apaga. Cantam-no em inglês, mas o sentimento é universal. A tua luz nunca se apagará em nós. A tua voz nunca deixará de ser ouvida por nós. A tua liderança nunca deixará de ser respeitada por nós. A tua presença nunca deixará de ser sentida.

Romano, foste, és e serás sempre digno de ficar na memória. Célebre. Notável. Por te conhecermos, nós somos hoje melhores pessoas. E, por isso, o nosso muito obrigado, amigo.

Até sempre.

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Prémios coxeanos 2016/2017

Posted: Setembro 18, 2017 by Os Coxos in Briefings e notícias, Prémios, Uncategorized

A nova época está aí. Depois de semanas de grande debate e aturada compilação de estatísticas, aqui ficam os prémios da época 2016/7:

  • Jogador mais assíduo: não atribuído
  • Melhor marcador: João Santos (4 golos)
  • Rei das assistências: João Santos (3 assistências)
  • Melhor Média: não atribuído
  • Bola de Ouro Coxeana: João Santos

Os prémios do ano passado podem ser consultados aqui.

Foi uma longa guerra, com muitas batalhas pelo meio, imenso suor e um punhado de lágrimas. Mas, dois anos depois dos primeiros sinais de uma complicada lesão nos tornozelos, o tempo de pendurar as botas chegou. Rui Passos Rocha, atleta coxeano que enverga o número 10 nas costas a marca do matrimónio eterno no anelar direito, anunciou hoje a retirada oficial dos campos de futebol. É um dia triste, para o jogador e para a equipa.

A história da lesão é longe. O atleta, também apelidado de Il directore quando jogava na Universidade do Minho (e de outras coisas quando não passava a bola), contraiu um problema complexo e de resolução complicada em 2015. Os tornozelos davam sinais de fadiga. As peladinhas em Lisboa, que ele frequentava com tanta intensidade na esperança de granjear a titularidade coxeana, tornaram-se aos poucos um suplício. Os golos escasseavam, as idas ao médico multiplicavam-se. Cada embate era um risco, cada finta um suor frio. A medicação, que no início aliviava as dores e lhe dava forças para continuar a lutar, deixou de fazer efeito. Aos 31 anos, Passos Rocha atirou a toalha ao chão.

Durante os 11 anos de serviço coxeano, Rui fez 67 jogos e marcou 30 golos. Na época 2013/14 foi inclusivamente o melhor marcador da equipa, com um total de cinco golos. A nível de prémios colectivos, venceu o Torneio Inter-gerações (2011/12), e chegou à final da I Gambotaça (2012/13), do I GP Moisés Martins (2013/14) e do IV GP Moisés Martins (2016/17). Podem ver aqui uma homenagem videográfica ao Rui.

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Vídeos do IV GP Moisés Martins

Posted: Junho 22, 2017 by Os Coxos in Historial de jogos, Multimédia

É verdade, já está tudo disponível. É só consultar o primo Youtube, que nunca falha.

 

Em 2016 escrevemos:

Rinus Michels disse um dia que a beleza do futebol está na sua imprevisibilidade. «Tanto pode ganhar a mais inspirada e talentosa dream team como o mais incompetente dos agrupamentos desportivos». O III Grande Prémio Moisés Martins – o Torneio do Centenário mostrou que Michels tinha razão: o resultado surpreendeu tudo e todos, sim; e o vencedor não foi a mais inspirada e talentosa das equipas.

Para espanto de todos os que participaram no IV Grande Prémio Moisés Martins – o Torneio da Raça, o vencedor voltou a ser o mesmo: a Squadra Azzura. A equipa capitaneada por Francisco Abreu apresentou-se em grande forma no torneio, e conseguiu mais uma vez chegar à final do mítico troféu académico. Na batalha derradeira com a Instituição Coxeana, a Squadra deu a volta a um resultado inicialmente negativo, obtendo uma vitória por 2-1 que a torna a primeira equipa a chegar ao biMartins no curso de Ciências da Comunicação.

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O segredo da vitória – que deixou as hostes coxeanas lavadas em lágrimas – foi muito esforço, dedicação, trabalho… e um reforço significativo de plantel, que se apresentou com um invejável lote de novos jogadores. Com nove atletas na equipa, a Squadra conseguiu sempre manter a forma física, e lutar até ao fim em todos os jogos. E, no fim… ganhou.

A Instituição Coxeana ficou em segundo lugar, e a terceira posição do pódio ficou ocupada pelo COVFEFE, uma equipa nascida da junção da presença (espiritual…) dos professores do curso a alguns mais velhos. Essa equipa, de resto, também ‘deu’ ao torneio o seu melhor marcador, o veterano (47 anos) José Ramada. Todos os números estão, de resto, disponíveis no habitual documento oficial do torneio (IV GP MM – Relatório Final). Quanto ao resto, notaríamos o seguinte:

  • Squadra Azzurra: Quarto ano de participação, segunda vitória. Tiveram mérito e engenho mas, como habitual, também uma boa dose de sorte. Estiveram a perder na meia-final por 2-0, e conseguiram empatar nos últimos minutos. Nas grandes penalidades, a sorte sorriu-lhes – foi a terceira vitórias na lotaria em apenas duas edições… Chegados à final, apanharam-se a perder por 1-0, mas acabaram por dar a volta. São o alvo a abater no próximo ano.

 

  • Os Coxos – Apresentaram-se a alto nível. Capitaneados por um seguro Teixeira, e conduzidos em campo por um Neri de gabarito, fizeram uma fase de grupos perfeita, limpando os Africans e Psicopitos com 3-0 e 3-1. Nas meias-finais voltaram a correr o adversário COVFEFE com três golos (3-2). Só na final, à qual chegaram muito cansados e desgastados (eram apenas 7 atletas) é que tombaram. No final, a frustração era visível. Hugo Pires, que também fez um grande torneio, lamentou-se: «Era a nossa última oportunidade de ganhar um título». Mas para o ano há mais.

 

  • COVFEFE: A equipa “dos professores” (como continua carinhosamente a ser apelidada) apresentou-se em boa forma no torneio. Passou em segundo na fase de grupo – apenas atrás do vencedor Squadra Azzurra -, mas tombou contra Os Coxos nas meias. Recuperou a honra no jogo do terceiro e quarto lugar, que serviu ainda para coroar José Ramada como o vencedor do Prémio Melhor Marcador Carlos Ferreira.

 

  • F.C. Africans: Desfalcados de alguns nomes («o filho da p*** do Paulos não veio de Barcelona!», como disse carinhosamente Pedro Avelar), os Africans apresentaram-se longe da melhor forma. Ganharam a primeira partida, mas sofreram uma pesada derrota por 3-0 contra Os Coxos, que quase os deixava de fora do torneio logo na fase de grupos. A má sorte continuou na meia-final: depois de se apanharem a vencer por 2-0, consentiram o empate e foram derrotados nas meias-finais. Uma imagem: Esteves, que no ano passado foi o melhor marcador (6 golos), este ano apenas molhou o pincel uma vez.

 

  • Suicidas Brácaros: A única equipa extra-curso a participar no torneio (precedente aberto em 2015, quando participaram no II Grande Prémio) apresentou-se com um leque de jogadores muito completo, que chegou, a espaços, a semear o medo em quem via os jogos de fora. Mas uma sequência de erros individuais, alguma falta de concentração e uma boa dose de azar acabaram por ditar a eliminação precoce da equipa. Tinham tudo para ganhar o certame, mas acabaram por sair do torneio sem glória.

 

  • Canelas 2017: A equipa de caloiros, capitaneada por Rui Souto, apresentou-se com muita vontade e desejo, mas a falta de experiência nunca os permitiu sonhar muito alto. Marcaram 8 golos, o que seria apreciável se não tivessem sofrido 13 (em apenas três jogos!). Há diamantes na equipa, mas é preciso lapidá-los.

 

  • F.D. Psicopitos: Quatro anos, quatro participações, zero passagens à fase final. Apesar de o registo histórico não ser famoso, os FDP não desistem, e constituem um caso sério de amor ao desporto-rei. Desta vez apresentaram-se mais fortes, mas ainda assim não foi o suficiente para levarem de vencida Os Coxos e os Africans. Ganharam, porém, o Prémio Fair-Play, pela dedicação constante à causa e pela emotividade que transmitem sempre que entram em campo.

Nos próximos dias será publicado o vídeo do Torneio. Estejam atentos!

O IV Grande Prémio Moisés Martins está quase a chegar. Depois da primeira, segunda e terceira edições, a quarta leva do mítico torneio promete elevar ao cubo toda a emoção, virilidade e grandiosidade a que os adeptos, jogadores e dirigentes estão habituados. As inscrições estão abertas, não percas a oportunidade de defrontar professores e ter um lugar na história!

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Prémios coxeanos 2015/2016

Posted: Agosto 8, 2016 by Os Coxos in Briefings e notícias, Prémios

A poucas semanas do início da nova época, Os Coxos divulgam os vencedores dos prestigiados prémios coxeanos. Numa época relativamente longa, em que houve três jogos amigáveis e cinco partidas oficiais, Hugo Pires foi o grande nome do ano – levou o troféu de melhor marcador, jogador com mais assistência, jogador com melhor média s e, claro o importantíssimo Coxo de Ouro.

  • Jogador mais assíduo: não atribuído (três jogadores com 8 jogos)
  • Melhor marcador: Hugo Pires (10 golos)
  • Rei das assistências: Hugo Pires (5 assistências)
  • Melhor Média: Hugo Pires (14,7 valores)
  • Bola de Ouro Coxeana: Hugo Pires

Ao receber o(s) prémio(s), o atleta, visivelmente emocionado, não conteve as lágrimas. E disse:

É com grande orgulho que volto a receber este prémio. Hoje, sinto me especial. Não por esta conquista mas por ter a certeza certeza que faço parte de um grupo de pessoas fantásticas, amigos que estão connosco nos bons e maus momentos. Amigos com quem posso contar, com quem a minha família pode contar e isso…isso é o maior prémio que se pode receber. Um grande obrigado a todos ! COXOS!

O craque de Valpaços, recorde-se, já tinha conquistado a Bola de Ouro em 2011/12, ano em que foi também o melhor marcador. No ano passado conseguiu também ser o jogador com mais tentos, embora não tenha conseguido ganhar o Coxo de Ouro. Saibam mais sobre Pires aqui. Os prémios do ano passado podem ser consultados aqui.

Coxos fecham época com chave de ouro

Posted: Julho 28, 2016 by Os Coxos in Historial de jogos

Com chave de ouro e com uma mão cheia de golos – ou, no caso, com duas mãos cheias (desde que uma tenha um dedo cortado). Na última partida da época, que assinalou um ano do falecimento de André ‘Tricky’ Ferreira, a turma perneta levou de vencida  a equipa ‘Nogueira Team’ por 9-8, e despediu-se assim da season 2015/16 com uma exibição de encher o olho, mostrando também que o empate do ano transacto foi apenas um erro de percurso.

O jogo devia ter tido duas figuras maiores: Tricky, o homenageado, e Del Neri, a nova contratação para a próxima época. Mas as voltas saíram trocadas. Neri não pôde comparecer, e em seu lugar surgiu Pires, que assumiu as despesas do jogo e sozinho marcou seis (!) golos e fez duas assistências. E no lugar de André Ferreira surgiu outro representante da família, com a mesma camisa 11 mas com mais 30 anos: José Ferreira, pai de Tricky, que jogou pela turma coxeana.

A equipa apresentou-se assim com Teixeira na baliza, Luís Miguel e Romano na defesa, José Ferreira a municiar o ataque e Hugo Pires a provocar distúrbios na área contrário. No banco, o suplente João Romano, cooptado à última da hora para suprir a ausência de Del Neri, tapava os buracos necessários. Rui Rocha, lesionado, viu a partida da bancada.

A falta de coordenação do cinco inicial notou-se logo no primeiro minuto. Pires conduziu a bolaa pelo meio, tabelou com Romano mas a bola foi interceptada e, depois, nem João nem o Sr. Ferreira conseguiram fechar os caminhos para a baliza. Resultado: golo da Nogueira Team. Mais do que o esforço do adversário, o 1-0 assinalava a descontracção excessiva da turma perneta.

Mas foi sol de pouca dura. Pires, sempre devidamente municiado pelos restantes jogadores, abriu o livro e deu um show de futebol que encantou os vários presentes no jogo. Fosse pela esquerda ou pela direita, em drible ou progressão, em remate de longe ou finalização fina, o matarruano de Valpaços fez a cabeça em água ao Nogueira Team. E, quando deram por ela, já a partida estava em 6-2. Destes seis, Pires marcara cinco. É dose.

O resultado folgado permitiu à equipa relaxar e abrir espaços. Romano substituiu Teixeira na baliza e até nem se saiu mal. No seu reinado entre os postes, o marcador só se deteriorou ligeiramente, de 6-2 para 6-3. O problema era o ataque. Teixeira, tosco de pés e trapalhão de joelhos, não conseguia dar seguimento aos lances de ataque. A experiência foi curta e rapidamente voltou à casa mãe.

E que importância teve! O Nogueira Team começou a carregar e, nos momentos de aflição, só um enorme Alberto Teixeira foi capaz de evitar um, dois, três, quatro… bom, perdemos a conta aos golos que o portero não deixou entrar. Mas foram os suficientes para Hugo Pires lhe dar um beijinho na testa.

Ainda houve tempo para mais alguns e – muitos – calafrios. Mas a partida acabou com uma vitória coxeana por 9-8, resultado que premeia a boa forma de Pires, a agilidade de Teixeira e que honra o brio com que o adversário se apresentou em campo. No final, palmas para as equipas e saudades lá para cima. Tricky, estás cá dentro.

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Teixeira: 16 – Enorme exibição. Mostrou-se num plano elevadíssimo, e foi graças a si que a Nogueira Team só marcou oito golos. Nos remates de longe cumpriu com perfeição e nas bolas à queima esteve insuperável.

Sr. José Ferreira: 11 – Cumpridor. Dois anos depois, a camisola 11 voltou a ter quem a envergasse. Conseguiu uma proeza extraordinária: fez Teixeira usar a formulação “se faz favor” na marcação de um canto (“Senhor, cubra melhor, se faz favor”). Valeu a pena a participação.

Luís Miguel: 14 – Óptima exibição. Foi o melhor municiador de Hugo Pires, e ainda molhou ele próprio o pincel. Apesar dos anos passarem (e da barriga aumentar), continua a ser um jogador habilidoso. Iniesta em ponto pequeno, com pior pé esquerdo e mais cabelo.

João Romano: 11 – Marcou um golo e ainda enviou outra bola ao ferro. Esforçado a defender, não conseguiu contudo imprimir o dinamismo desejado ao jogo. O jogador cooptado à última da hora contribuiu o que pôde, mas a ausência prolongada dos relvados deixou marcas.

Pedro Romano: 13 – Belo jogo do treinador e vice-capitão coxeano. O número 5 esteve bastante em jogo e para além de um golo deu ainda dois a marcar, um dos quais numa trivela de belo efeito. Passou também algum tempo na baliza, e durante o seu consulado a equipa só sofreu um golo.

MVP – Hugo Pires: 18 – Não é todos os dias que se marca seis golos, mas este foi um desses dias. O atleta de Valpaços chegou cheio de vontade de fazer a diferença e foi um verdadeiro diabo de quatro patas para o adversário, que nunca conseguiu encontrar a fórmula certa para o travar. Pires, por seu turno, parece ter encontrado o elixir mágico do druída Panoramix, tal foi a força e velocidade que patentou em inúmeros lances durante o jogo. Ganha cada vez mais força o movimento #façamumvídeoparaoPires

João “Del Neri” Santos assinou esta semana pel’Os Coxos. O avançado de Viana rubricou um contrato milionário que o coloca nos quadros da Instituição Coxeana até 2022, com possibilidade de renovar por mais quatro anos. É a contratação do ano, conforme relata hoje o Gazzetta dello Sport.

A contratação de Neri surge poucas semanas após o atleta jogar por empréstimo no III Grande Prémio Moisés Martins. Apesar de se ter apresentado longe da melhor forma, Neri conseguiu ainda assim facturar seis dos nove golos da equipa, ser o melhor marcador do Torneio – ex aequo com Esteves – e apanhar uma bebedeira no jantar. Três características que o tornam especialmente apto para marcar presença no plantel.

Ao blogue coxeano, o presidente Phillipe Vieira, a administrar os negócios pernetas via Skype, mostrou-se “absolutamente realizado” com a contratação. “O Neri é um jogador de topo. Apesar de estar a chegar aos 30 anos, acredito que ainda pode dar muito à equipa, e ser um valor de relevo nos próximos torneios. O plantel tem tido algumas dificuldades em se reunir por causa da lesão do Rui, e com esta contratação ficamos com um cinco muito completo».

Já o próprio Neri assumiu que este era um desejo antigo. «Desde os tempos da Universidade do Minho que queria representar Os Coxos, mas não queria partir o coração do Pelayo e dizer-lhe que o ia trocar pelo Sabino. Agora, o problema está resolvido. Estou muito feliz por fazer parte desta equipa e espero  contribuir com muitos golos. Finalmente vou poder chamar maníssimo a todos e ser correspondido».

Neri irá envergar o número 12, já a partir de Julho. Em baixo, foto para a posteridade: o momento da assinatura do contrato, selado com um abraço ao mister Romano.

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Não foi a vitória que todos procuravam, mas não deixou, ainda assim, de ser um resultado meritório. No III Grande Prémio Moisés Martins – o Torneio do Centenário, a Instituição Coxeana conseguiu chegar ao terceiro lugar, depois de bater os Aprígios Team nas grandes penalidades, e fez o pleno do certame: em três edições ficou sempre nos três primeiros lugares.

O torneio teve uma inovação: oito equipas, o que se traduziu em 16 jogos no total e a absoluta impossibilidade de fazer uma crónica individual para cada. Por essa razão, a crónica, deste vez, é agrupada. As notas, contudo, serão individualizadas por partida. Em relação aos resultados, podem ver tudo no post anterior. Realce também para a estreia de João Santos “Del Neri”, que pontificou pelos Coxos para surprir a ausência de Rui Rocha, afastado por lesão.

Alberto Teixeira – 7; 12; 12; 9; 15 – Começou mal o torneio, com uma saída para o ataque em que perdeu a bola e acabou por meter auto-golo. Teixeira tremeu aí, e temia-se o pior. Felizmente, praticamente não teve trabalho no segundo e terceiro jogos, dada a força revelada pela defesa Coxeana. No jogo das meias-finais voltou a pecar, embora desta vez por culpa do árbitro: saiu da baliza, a bola bateu no seu braço e… cartão vermelho. Redimiu-se no último jogo: depois de uma partida muito dividida, fez a diferença nos penalties, com uma defesa a dar o peito às balas. Nota média: 11

Pedro Romano – 9; 11; 13; 10; 12 – Muito fora de forma, foi o jogador com menos tempo de jogo. Esteve muito discreto a atacar e na defesa limitou-se a cumprir. No terceiro jogo foi quando mais se destacou. Na meia-final foi ele que assumiu a responsabilidade de substituir Teixeira na baliza, e apesar de ter encaixado três golos ainda evitou outros tantos. Os anos começam a pesar. Nota média: 11

Ivo Neto: 10; 13; 14; 9; 11 – Abnegado e lutador, voltou a mostrar que é uma óptima opção para tapar os caminhos para a baliza. Como o resto da equipa, baixou de nível no primeiro jogo e na eliminatória contra os Africans. Na partida contra os We Shall See foi um autêntico muro. Nota média: 11,4

Luís Miguel: 11; 13; 14; 9; 12 – Esteve normalmente seguro e competente, sem nunca espalhar a magia que já mostrou em campo noutros tempos. O facto de jogar em terrenos mais recuados também não lhe permitiu grandes veleidades. Aproveitou o último jogo para se recrear um bocadinho mais, sem contudo tirar daí grandes dividendos. A criatividade está lá, mas o génio não parece querer sair da lâmpada. Nota média: 11,8

Marcos Sabino: 10; 12; 15; 9; 13 – Fez um jogo em crescendo, como o resto da equipa. Marcou um golo de belo efeito contra a Squadra Azzurra e podia ter sido o homem da partida contra os We Shall See pela forma notável como secou o adversário Fábio; mas uma perda de bola infantil acabou por não permitir uma exibição de gala. Ainda assim, apresentou-se numa bela forma física. Nota média: 11,8

Hugo Pires: 12; 14; 16; 12; 14 – Foi um dos elementos mais inconformados. Chutou, dribou e fez tudo quanto pôde para levar a equipa para a frente. Ademais, foi também sua a ideia de colocar Sabino a marcar Fábio, o que se revelou extremamente importante. E quando foi preciso marcar o penalty decisivo para ganhar o terceiro lugar, ele disse presente. Tinha dito que estava em má forma, mas o que mostrou em campo chegaria e sobraria para lhe dar o prémio MVP, não fosse… Nota média: 13,6

MVP: João Santos ‘Del Neri’: 10; 15; 18; 12; 14 – Um ponto prévio: o Neri que se apresentou em campo não é o mesmo Neri que fez as delícias dos adeptos há seis ou sete anos, naquele mesmo campo. Neri apareceu com algum peso a mais e muito menor mobilidade. Mas se a parte física não está como antes, o mesmo não se pode dizer dos pés. Depois de um primeiro jogo apagado, o atleta de Viana arrancou para duas exibições extraordinárias, em que carregou autenticamente a equipa às costa. Contra os Eliseus, marcou de penalty e de chapéu no último minuto. Contra os We Shall See fez três – três! – golos, um dos quais quase do meio campo. No total fez seis golos em cinco jogos e ainda obrigou um defesa a meter na própria. Quem sabe não esquece. Nota média: 13,8