Os três jogos sem derrotas foram um recorde absoluto para a turma perneta, mas algum dia acabaria por ser quebrado. Foi hoje, dia 3 de Abril, no pavilhão do Arminho: apesar de estarem em pleno e com a ajuda do jovem Luís Miguel Romano, Os Coxos não tiveram futebol suficiente para levar de vencida a poderosa Turma H, que aproveitou o jogo para mostrar por que é que durante vários anos espalhou o terror pelas balizas da Escola Secundária Carlos Amarante. O resultado final de 11-6 só não foi mais dilatado porque Teixeira fez uma das exibições da sua vida.
O desnorte começou logo pela manhã: Sabino ligou a Romano alegando diarreia “do outro mundo”, o que fez o número 5 coxeano chamar o irmão para preencher o lugar do ala perneta. Ao chegar ao jogo, Sabino revelou a brincadeira – e Os Coxos passavam a ser seis. Sim, seis – pois o capitão falhou com as suas responsabilidades e apareceu apenas vinte minutos depois da hora marcada, sem dar quaisquer satisfações ao restante plantel. Sem o mítico Phillipe em campo, a equipa começou com Il Directore a coordenar a defesa e Tricky, Sabino e Romano a tentarem desfeitear a equipa adversária.
A estratégia, porém, saiu furada – e ao primeiro minuto já a turma H se adiantava, marcando um golo com alguma sorte à mistura mas que colocava o marcador num 1-0 desmotivante. Os Coxos não conseguiam reagir e foi contra a corrente do jogo que Romano fez um lob por cima da defesa e Sabino marcou um golo de belo efeito. Podia ter sido a reviravolta; não foi: embalados pela velocidade de Saviola e a robustez do tipo novo de laranja que ninguém conhecia, a Turma H rapidamente colocou o marcador em 4-1. Só Teixeira conseguia impedir o avolumar do marcador.
Os Coxos ainda ensaiaram uma reacção: Romano combinava com Luís, Tricky puxava a equipa, Sabino driblava como podia e Phillipe e Rui aguentavam a defesa com alguma consistência, sempre respaldados por um Teixeira enorme. Mas a turma H não perdoou: Luís Miguel marcou a passe de Romano, Saviola voltou a dilatar o marcador, Tricky reduziu com um golo de fúria (grande remate do meio da rua) e, a partir daí, só deu Turma H. Ao 9-4 (quarto golo de novo marcado por Luís Miguel), Romano já gritava: “Tenham brio, c@$&%$#!”.
Honra seja feita, o brio apareceu. Mas a troca de bola era sempre lenta, previsível. Sem um homem na frente, Os Coxos deixavam a turma H subir no terreno e pressionar junto à área. Tricky, uma vez, e Luís Miguel, duas, estiveram perto do golo, mas por cada remate que Os Coxos falhavam Teixeira tinha de dar o corpo a seis ou sete. Foi por essa altura que a Turma H, já com a barriga cheia de golos, decidiu também alimentar a de Teixeira – e com um remate estrondoso obrigou o guarda-redes a ficar 20 segundos sem respirar depois de uma parada típica, com o estômago. Minutos depois, Teixeira trocava a barriga pela cabeça e desviava um estouro com a testa. Brilhante. Doloroso, mas brilhante.
Espicaçados pela dor da girafa coxeana, Os Coxos conseguiram ainda empatar o jogo… nos minutos seguintes. A turma H marcou dois, mas Tricky e Sabino salvaram a honra do convento com dois bons golos. Nessa altura, apenas Sabino conseguia levar a bola para a frente e a estratégia já era a bola directa ‘à inglesa’. O jogo ficou durinho, mas acabaria sem mais golos para nenhuma das balizas. O que só pode deixar a equipa encarnada satisfeita, depois desta exibição muito pouco inspirada…
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Teixeira: 18 - Teve algumas culpas no primeiro golo (e no terceiro, quando se atrapalhou ao voltar para a baliza depois de uma subida), mas o resto do jogo atirou-o para o panteão dos grandes guarda-redes, lado a lado com Cech, Buffon, Kahn, Casillas, Schmeichel. Defendeu dezenas de remates – muitos dos quais cara-a-cara com o adversário -, cortou inúmeras bolas e ainda teve tempo de ensaiar dois ataques, naquele estilo de ‘escola brasileira’ que todos lhe reconhecem. Corajoso como sempre, parou inúmeros remates com o peito, barriga (num deles ficou ‘KO’ durante vários minutos) e cabeça (!). Apenas para de seguida se levantar e voltar a defender tudo que lhe vinha ao caminho. Se fosse por ele, Os Coxos teriam ganho.
Rui Rocha: 9 – Este até nem foi dos seus piores jogos. Esteve concentrado, mas onze golos sofridos impedem que tenha uma nota positiva. Perdeu-se um pouco nas marcações e acabou por se deixar levar no ‘canto da sereia’ do adversário, sempre rápido a trocar a bola. No ataque foi esforçado, sem contudo conseguir visar a baliza adversária com o remate que tanto o caracteriza.
Phillipe Vieira: 9 – Phillipe gosta de duelos duros. mas este jogo, em que defrontava adversários invisíveis, não era para ele. Apesar de não ter cedido nos duelos individuais contra uma equipa rápida, não acertou com o posicionamento defensivo (culpas que reparte com o resto da equipa, mas que nele ganham especial dimensão por ser o último defesa) e acabou por não conseguir ser o patrão de que a equipa precisava. A atacar também exagerou nas fintas, esquecendo-se de que a Natureza não o talhou como driblador. Mas, ao contrário do que aconteceu no jogo anterior, conseguiu manter a língua de Camões a um nível elevado.
Luís Romano: 10 – Também nunca se entendeu com a equipa adversária, e passou muito tempo apagado. Perdeu algumas bolas e na defesa também não esteve inspirado. Precisa de ganhar alguma agressividade que perdeu desde que deixou o ESSM FC, há uma época. Os dois golos que marcou permitem a nota positiva, mas não apagam a má imagem que deixou com três falhanços cara-a-cara com o guarda-redes (um dos quais praticamente sem ninguém na baliza).
Pedro Romano: 9 - Esteve apagado. Na frente conseguiu fazer duas assistências que deram golo (e duas outras que apenas por manifesta aselhice do seu irmão não permitiram também diminuir a vantagem do adversário), mas fora isso pouco se viu. Na defesa também esteve pouco inspirado, lento e com falta de dinamismo. Apesar das maratonas, a condição física não pareceu a melhor. Tem de trabalhar mais.
Carlos “Tricky” Ferreira: 11 - Lutou muito e marcou dois golos, um dos quais de belo efeito. Mas, apesar da raça, o peludinho também andou muito tempo perdido. Batalhou de forma inglória contra os defesas e, perante a resistência dos mesmos, acabou por vir atrás buscar jogo. Mas, quando fez num momento em que Luís, Phillipe e Rui eram os companheiros de campo, acabou por puxar a equipa para trás, consolidando o domínio do adversário.
Marcos Sabino: 13 - O criacionista de serviço esteve apagado durante uma boa parte do jogo, mas a partir de certa altura pareceu ter recebido forças divinas, tal foi a forma como pegou no jogo e comandou a equipa para a frente. Quando percebeu que os colegas não o iriam ajudar, fixou-se na frente e resolveu as coisas sozinho, com dribles diabólicos e remates imprevisíveis (até para ele, sobretudo no que dizia respeito à direcção dos mesmos). Os batidos estão a fazer efeito, com Marcos a ficar cada vez mais corpulento e robusto.
6 Comentários
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Penso que a minha avaliação é demasiado severa, já que corri o tempo todo e fiz duas assistências. Ainda assim, concordo com o essencial: jogámos mal e merecemos perder. Curioso o facto de o articulista não ter conseguido escrever um texto sem a palavra “verga” no título…
Ainda me doí o diafragma…
Se o Luís Romano teve 10, não acho que o Romano tenha apenas merecido um 9 nem o Tricky um modesto 11. Assim como não acho que a diferença de pontuação pela exibição entre mim e o Teixeira (o merecido MVP, sem dúvida) seja de 5p. Devo ter percorrido pelo menos uns 8km hoje! O Philipe foi vezes demais para a frente.
Falhamos atrás na defesa, falhas de marcação, desorganização defensiva e azar tb. Na frente também falhamos na finalização (eu inclusive).
Acho que era de apostar um novo jogo contra esta equipa numa próxima vez.
grande jogo, temos de repetir. o gr estev fantastico!
[...] um jogador especial. É verdade que tem estado ausente – já não participa num jogo coxeano há mais de um ano-, mas não deixa de ser uma jogador importante para Os Coxos. É o número 10 da equipa e isso até [...]
[...] presenteou a poderosa liderada por Miguel “Saviola” Magalhães. Dois anos depois da dolorosa derrota por 11-6, Os Coxos provaram que estão bem mais fortes, coesos e [...]