
We Shall See superiorizam-se e batem Os Coxos na segunda mão
Junho 27, 2008As expectativas eram elevadas depois do jogo do ano passado (que terminou com um 12-11 para a equipa dos docentes) mas o cansaço de alguns elementos, a desinspiração momentânea e uma grande falta de sorte acabaram por ditar nova derrota d’Os Coxos frente à equipa We Shall See Football, composta por professores do Instituto de Ciências Sociais. O 12-8 acaba por premiar a eficácia do We Shall See. Quando os Os Coxos quiserem dar uma lição de futebol, os adversários mostraram por que é que são eles os professores.
Ainda assim, o jogo até não começou mal. A extravagância de Joaquim Fidalgo – cabelos ondulados a esvoaçar no ar – custou caro ao We Shall See, que nos primeiros minutos já tinha sofrido um golo, por um remate de muito longe de Marcos Sabino – Fidalgo ficou a ver navios. Se passar a Jornalismo fosse assim tão fácil, até o Rui Afonso já teria concluído a cadeira.
Mas quem pensava que a equipa de uma só perna tinha a tarefa facilitada depressa se desenganou. O adversário fez o empate e de imediato deu a entender que estava ali para discutir o resultado. Tiago Alves pegou no jogo e libertou-se das amarras (e da t-shirts…), Fernando Jesus acordou, Portela mostrou de que matéria é feito. Infelizmente, o irrequieto Fidalgo continuava a fazer das suas e o jogo rapidamente voltava a inclinar-se para o lado dos alunos: 3-2 para Os Coxos, e até Phillipe já tinha marcado…
A mudança veio, ironicamente, do próprio Fidalgo. Bastou o antigo jornalista acertar com as movimentações na baliza e logo Os Coxos passaram a ter mais dificuldades em chegar ao golo. Os docentes aproveitaram. Fernando Jesus imprimiu velocidade ao jogo (grande túnel fez a Phillipe Vieira…) e Portela e Alves fizeram as despesas da casa na frente de ataque. Rapidamente o jogo estava virado, e o 5-4 premiava a atitude da equipa docentina. Alberto Sá desempenhou um papel fundamental: desde a sua saída que a bola circulava com muito mais fluência.
Os Coxos não souberam reagir e deixaram-se embrenhar na teia do We Shall See. Com Tricky longe da baliza, Sabino e Romano perdulários e Phillipe já a pensar no estágio, foi mesmo Teixeira a evitar males maiores. Os docentes ganhavam ressaltos e tinham sorte nas bolas paradas mas a verdade é que, de uma forma ou de outra, chegavam à área. Teixeira foi um gigante mas, ainda assim, não foi suficiente – e, passado algum tempo, o marcador já apontava 8-5 para os professores. «Juro que não percebo por que é que insistem em filmar os jogos», sussurrava Fernando Jesus a António Ovídeo.
Os Coxos ainda deram réplica – chegaram ao 8-7 – mas foi nessa altura que Fernando Jesus foi à baliza. O cattenattio docentino estava completo: Fidalgo a fazer carrinhos a torto e a direito, impedindo os dribles de Romano e Sabino – o craque do ICS estava eufórico com a sua prestação – Miguel Bandeira a cortar as linhas de passe e António Ovídeo a impor respeito no corpo-a-corpo. Quando as bolas chegavam à baliza, Fernando Jesus mostrava a sua raça e não tardava em pôr a bola a na frente. Conclusão lógica: 10-6 e os coxeanos a ponderarem seriamente a possibilidade de chumbarem de ano de propósito, a ver se não saiam da Universidade sob o signo da derrota pesada.
Os Coxos foram ao fundo do poço buscar energias e ainda conseguiram chegar ao 10-8, aproveitando-se de algum cansaço dos docentes (Portela disse que não tinha comido nada antes do jogo, culpando a falta de subsídios de Natal na UM pela má condição – «Em época de vacas magras temos de poupar…», disse).
O jogo acabou em 12-8, com os docentes em alegre confranternização com os ex-alunos. Alguns esqueceram-se da posição institucional que ocupam e cometeram alguns excessos pouco recomendáveis. Os docentes assumiram ainda os encargos pelo aluguer do campo, numa atitude bonita que os alunos não esquecerão. «Espero que com os 3,5€ poupados aquele Sabino possa comprar um champô e um sabonete em condições», justificou-se, enigmaticamente, Pedro Portela.
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Notas d’Os Coxos:
Teixeira: 18 – Exibição fenomenal do guardião. Apesar de não estar isento de culpas num ou dois golos, teve momentos de puro brilhantismo, defendendo três ou quatro remates à queima seguidos, alguns dos quais golos feitos. O 18 premeia a coragem, os reflexos e a qualidade das suas defesas frente aos ex-professores. Em quatro anos, foi a única vez que os professores lhe valeram alguma coisa acima de um 12.
Phillipe Vieira: 13 – O capitão não esteve mal, mas também não esteve particularmente inspirado. Ainda assim, marcou dois bons golos e limpou bem a defesa (certamente a praticar para a limpeza das casas de banho que terá de fazer durante o estágio na SIC). Gritou muito com os colegas, especialmente com Romano, chegando a dizer que este se estava a esforçar ainda menos do que no trabalho de grupo para Sociologia das Fontes.
Pedro Romano: 12 – Não começou mal, e até marcou dois golos, mas com o passar do tempo notou-se que o jogo de uma hora e meia durante a manhã se fez sentir nas suas pernas. Depois revelou algumas fintas desnecessárias, que tiveram como único ponto positivo terem oferecido ao público um verdadeiro recital de música rítmica, tocado a meias entre as suas caneleiras e a biqueira da bota de António Ovídeo. O bigode com que apareceu em campo não foi talismã.
Marcos Sabino: 14 – Veloz, conseguiu marcar três bons golos e fazer algumas assistências. Apesar de só ter um pulmão, usou-o bem, e apenas por manifesta má sorte não fez o empate (grande defesa de Fernando Jesus). Contudo, o jogo de manhã também o cansou e no final do jogo já pouco corria. Continuou a espalhar perfume pelo campo mas, por essa altura, o cheiro era outro.
Carlos Ferreira «Tricky»: 12 – O Animal dos Coxos começou na defesa, o que lhe tolheu os movimentos, e nunca se aventurou no ataque. Esteve sempre certo nos passes e forte no sector defensivo, mas não marcou nenhum golo, o que é manifestamente pouco para aquilo a que tem habituado os adeptos. Ainda assim, o peludinho encarou sempre os docentes de igual para igual. Afinal de contas, já tem o grau de Mestre.
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Notas dos We Shall See Football:
Joaquim Fidalgo: 16 – O professor de Jornalismo iniciou a partida à baliza e, depois de alguns golos consentidos, começou a acertar com os golpes de vista, tendo inclusive sido de suma importância na altura de maior assédio coxeano (a dada altura, chegou a impedir a marcação de um canto à maneira curta enquanto estava fora da baliza – «Ó Portela, que se lixe a Ética», terá dito). Quando foi à frente revelou-se um jogador tecnicamente pouco evoluído mas extremamente voluntarioso, a fazer lembrar Gattuso, da Itália/AC Milan. A rigidez que patenteia durante as aulas foi trocada pela flexibilidade das pernas em inúmeros carrinhos que cortaram perigosos contra-ataques.
António Ovídeo: 13 – Ovídeo limpou a sua área da mesma forma que limpa o laboratório de Jornalismo quando passa da hora de saída: com violência. Agressivo e fisicamente disponível, o Marco Materazzi dos We Shall See Football sacrificou a inspiração à transpiração e soube sempre fechar as portas da sua defesa. As marcas que, dizem as más línguas, deixou nos corações da assistência feminina só são superadas pelas marcas que deixou nas pernas dos adversários.
Tiago Alves: 14 – O reforço de última hora esteve sempre activo, quer na defesa quer no ataque, e conseguiu levar o perigo às redes coxeanas. Um verdadeiro Box-to-Box, a Voz da Rádio impôs presença na defesa e usou a pujante aparelho vocal para mimosear a mãe de Pedro Romano quando este lhe fez um túnel. Revelou também grande inteligência táctica ao retirar a camisola no início da partida; primeiro, porque, dada a quantidade de transpiração, os defesas evitavam a marcação homem-a-homem, o que lhe valeu pelo menos dois golos; segundo, porque impôs ao respeito ao mostrar que pelo menos numa característica é igual ao melhor jogador coxeano, Tricky: no felpudo tapete de pêlos que lhe adorna a barriga.
Fernando Jesus: 16 – O pé esquerdo milagroso (não fosse ele o Filho de Deus) fez menos estragos do que no jogo do ano passado, mas Fernando Jesus foi, de novo, um peso pesado dos We Shall See. Competente no sector recuado e rápido no sector ofensivo, foi o maior responsável pela transição defesa-ataque da sua equipa, mostrando que, em futebol, o tamanho não conta. Quando foi à baliza demonstrou também muita atenção e reflexos, fazendo um punhado de boas defesas. Se antes foi Roberto Carlos, ontem foi Robben.
Pedro Portela: 15 – O Lampard dos We Shall See: remate poderoso, técnica evoluída e simplicidade de processos. Jogou em várias posições, o que atesta bem a sua polivalência (algo que, de resto, já tinha revelado a nível académico: tanto chumba caloiros em Métodos como mestrandos em Rádio). No final, congratulou-se por ter descoberto uma actividade em que os seus alunos conseguem ser ainda piores do que nos testes de Métodos de Investigação.
Alberto Sá: 12 – O falso lento trocou o Linux pelo Windows e as consequências não se fizeram esperar: poucos minutos depois de ter arrancado, Alberto Sá já tinha crashado. Enquanto esteve em campo, nunca conseguiu realmente entrar em jogo, tendo revelado algum excesso de confiança que se traduziu em muitas bolas perdidas. Ainda assim, torceu muito pela equipa enquanto esteve de fora, o que justifica a nota positiva. Isso e o facto de o autor destas linhas ainda não ter completado a cadeira de Informática e Telecomunicações.
Miguel Bandeira: 14 – O Davids (jogou de óculos) do We Shall See foi dos mais aplaudidos pela bancada. Certinho e com bom passe, foi de grande importância para assegurar a estabilidade da equipa. Apenas deixou algo a desejar no capítulo da finta, e aí encarnou notavelmente a figura de Moisés Martins: quando pegava na bola começava a dar voltas e mais voltas e no final ninguém percebia muito bem qual era a ideia…
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NDE: Aguardem mais novidades. O vídeo do jogo será publicado no próximo sábado.




é o segundo desafio contra os we shall see que perco, mas o do próximo ano não falha!
a sócia nº 11
Agora estou ansioso por ver esse vídeo. Bino, faz-me lá esse favor, pá, antes que a análise do PSI-20 me cause problemas visuais.
Com Gattuso e Materazzi a ceifar, Davids a organizar e Robben e Lampard a atacar era difícil ganhar. Só se tivesse estado em campo alguém com bom remate de longe
“Só se tivesse estado em campo alguém com bom remate de longe”
E esteve… eu!
Grande jogo. Foi pena estarmos tão cansados, mas penso que mostrámos bem de que massa somos feitos (fraquinha). De qualquer forma, é um encontro histórico: o capitão marcou dois golos!
eu marquei 4 golos, afinal… como se pode ver pelas imagens
É pa, essa de me colocaram no meio campo, às voltas e mais voltas, sem se perceber qual é a ideia, lesionou-me pela segnda vez. E eu que julgava qu o meu jogo era sempre prá frente…
Pela narração do jogo, vejo que as aulas de jornalismo foram produtivas.
Em relação à “ética” ou falta dela, é um assunto para discutir… quem sabe, numa oral!
Relativamente ao repórter e à edição de imagem, justifica-se o alargamento dos prazos de requisição de equipamentos!… É chegada a hora!…
Um abraço a todos e parabéns pelo momento, pelo esforço e, sobretudo, pela criatividade usada na análise ao jogo. Foram maravilhosos!… (Depois de um 16, o que poderia escrever?)
…e o grande lesionado do jogo da época transacta esteve numa digressão intercontinental e não conseguiu chegar a tempo da partida – vê, no entanto, que a equipa que ajudou a formar está já num plano técnico/táctico bastante evoluído, capaz mesmo de repetir o detalhe (tudo planeado, claramente!) de fazer uma aparente subsituição de última hora por lesão (planeada, claro!) de um dos seus elementos.
Nem o Mourinho, com os seus bilhetinhos de mesinha de cabeceira, conseguiria explanar no terreno tão brilhante e intrincada estratégia.
O céu parece mesmo ser o limite para esta equipa de transbordante talento natural, de estonteante disponibilidade física e de assombrosa disciplina táctica (chegaria para envergonhar o ‘burro’).
Olé, olé…we shall see olé…