Arquivo de Maio, 2008

h1

Os Coxos aguentam Atoladinhos na “Liga dos Últimos”

Maio 29, 2008

Foi o último jogo oficial d´Os Coxos e o objectivo era vencer para não ficar no último lugar da Liga CS. Contudo, uma exibição cinzenta na defesa, contrastando com o colorido da dupla atacante Sabino e Tricky, não permitiu melhor do que um empate a três bolas, que em nada alterou a classificação final. Os Coxos ficam no quinto lugar – evitando, assim, a última posição - e por pouco fazia melhor do que o Benfica no campeonato. Agora, vem o segundo jogo da Taça, contra os We Shall See.

A formação coxeana terminou o torneio como começou: podia ter vencido a partida, com vários lances de perigo, mas claudicou em momentos decisivos – a prótese que os pernetas usam está a ficar gasta e, nestes casos, a technê não beneficiou a bios coxeana, pode dizer Moisés Martins.

O melhor arranque do jogo veio com o perfume, já habitual, de Sabino, sensivelmente a meio da primeira parte. Depois de um passe em profundidade do colega de ataque Tricky, Sabino respirou fundo para o seu único pulmão e bateu Márcio, que até à altura se cotava como melhor elemento do lado adversário.

Porém, depois da assistência para o golo perneta, o peludinho equilibrou as contas, errando o passe para el Directore Rui na defesa, algo que Fati bem soube aproveitar, empatando a contenda no relançamento do jogo.

Por esta altura, já o capitão batia com a mão no peito dizendo: “VAMOS LÁ. POR AQUI NÃO PASSA NADA!”. Mas a verdade é que acabou mesmo por passar, com um erro de Teixeira, que desnecessariamente engravatou Hugo Pires, a.k.a Bolas de Fogo, dentro da área. Na marcação da grande penalidade, o próprio fez jus ao nome, não dando hipóteses ao guardião pacóvio – Romano acertou para que lado o adversário ia atirar…

A segunda parte começou com Os Coxos em força. A meio do segundo tempo, Tricky assistiu para o bis de Sabino, que, de ângulo apertado, desfeiteou o keeper de Ponte de Lima. Mais um golo do número 9, que igualou asssim o número de pêlos que o quase imberbe tem na face.

Mas, minutos depois, o placar viria de novo a favorecer os Atoladinhos. Phillipe não fez o grito da praxe e deixou-se antecipar por Hugo Pires, que seguiu isolado para a baliza e facturou o segundo na conta pessoal. Por esta altura, o conjunto coxeano passava para o último lugar.

A poucos minutos do fim, Romano repôs a igualdade na partida. Depois de Sabino tentar o hat-trick, o número 5 chutou na recarga para o fundo da baliza. Os Coxos selaram a participação no torneio com uma boa prestação e merecedores do prémio fair-play: depois de terem marcado golo (seria o 2-2…) num lance em que a bola saiu mas que o árbitro não viu, devolveram, voluntariamente, a bola ao adversário. Tivessem os adversários Torpedos e Dino FC o mesmo espírito desportivo e Os Coxos poderiam, hoje, estar a discutir a passagem à fase final.

As atenções estão agora viradas para o segundo encontro entre discentes e docentes. Fernando Jesus e companhia levam vantagem sobre os pernetas, depois da vitória por 12-11, no jogo da primeira-mão da Taça de CS. “Desta vez, não há justificação para a derrota. Mais um mês e estamos fora da Universidade e, por isso, não há medo de represálias”, assumiu Teixeira.

Notas:

Teixeira: 14 – Intervenções de grande nível (fantástica estirada a remate de Ivo Netinho) intercaladas por uma paragem de cérebro que o levou a fazer penalty sobre Bolas de Fogo. Atento, conseguiu, também, não dar abébias contra uma equipa que aposta muito nos remates de longe (Xu, Fati, Netinho). O seu penúltimo jogo oficial foi marcado pela segurança.

Rui: 12 - Vacilou uma única vez, mas isso revelou-se fatal para a baliza à guarda de Teixeira. Um passe que ficou demasiado curto para Phillipe, mas à medida para Bola de Fogo dar a cambalhota no marcador. A salvação veio com o golo de Romano. De resto, foi cumprindo na defesa.

Phillipe: 12 – Como el Directore, o Capitão América sempre que esteve em campo cumpriu com as suas obrigações. A oração “NÃO PASSA NADA” só por uma vez não surtiu efeito, quando deixou-se antecipar no lance que quase comprometeu o quinto lugar.

Sabino: 16 - Depois de alguns jogos menos conseguidos, o número nove voltou aos bons velhos tempo: boas incursões pelo ataque, com tabelas vistosas com o companheiro de ataque. Resultado: dois bons golos e uma exibição conseguida, que se espera que tenha seguimento nos próximos embates coxeanos.

Tricky: 14 - Não marcou, mas bem tentou, com vários remates de longe. Aliás, este é o cartão de visita do peludinho. A única nódoa – além daquela que revelou depois do jogo nas cuecas – foi mesmo a assistência para o adversário fazer o empate.

Romano: 14 - Ainda não totalmente recuperado da febre que o afectou durante a última semana, o defesa-central/médio ala fez o golo mais importante da contenda matinal, aquele que segurou o empate final, entrando para a história como o marcador do último golo do último jogo oficial d’Os Coxos.

h1

Um Império em lágrimas

Maio 24, 2008

Há crónicas que nem o mais talentoso dos cronistas quer escrever. Podem ser vários os motivos que levem alguém que faz da pena a sua arma de trabalho a não pretender levantá-la. Podem ser questões pessoais, como o fim de uma relação amorosa ou o desaparecimento de um ente querido. Podem ser motivos profissionais, de luta e greve contra um determinado estado de coisas.

Até podem ser motivos Coxeanos, como é o caso desta crónica em específico. Os Coxos perderam (0-6) perante os Africans e ficaram, dessa forma, sem quaisquer possibilidades de lutar pela qualificação para as meias-finais da Liga de CS.

Não se pense que o jogo foi desnivelado. Aliás, a partida foi bastante interessante de seguir, com boas movimentações de ambos os lados e perigo em ambas as balizas. Porém, a maior lacuna do plantel Coxeano voltou a revelar-se fatal: a finalização. É impossível ganhar jogos sem marcar golos, por muito bem que se defenda.

E, este jogo começou logo mal. Cansados pelo trabalho na última edição daquele que era o único jornal impresso de referência da UM (o ComUM, malta!) e agastados pela notícia de que Wesley poderá estar próximo do Benfica, os bravos Coxeanos não estavam nas melhores condições físicas. Exemplo máximo dessa situação foi o sub-capitão, Pedro Romano, que, com mais de 40ºC de febre ainda conseguiu chegar ao recinto de jogo. Tarde, mas chegou.

A equipa entrou em campo com um cinco diferente do habitual. Teixeira – provavelmente a atravessar a melhor fase da sua carreira – na baliza, Phillipe e Rui na base inferior do quadrado que dispunha Sabino e Tricky nos vértices superiores. Romano aquecia.

A equipa tinha de ganhar e sem o nº 5 para fazer a transição defesa-ataque, Rui e Phillipe iam alternando nessa função. Foi, aliás, numa arrancada do 21 pela esquerda que os Coxos criaram a sua primeira situação. Duas outras de Sabino seguiram-se.

No entanto, os Africans não se ficavam e, apesar de mostrar o natural respeito que a idade exige ao Coxos, procuravam também chegar ao golo, colocando as suas esperanças nos pés de Miguel ‘Esteves’ Machado. Por duas vezes o perigo rondou a baliza Coxa, com uma das bolas a ser enviada ao poste.

O intervalo chegou com 0-0 no marcador. Jogo renhido, equilibrado e aguerrido. Os Africans jogavam para a qualificação, os Coxos para poderem ainda sonhar com essa qualificação.

Na segunda parte, com o 5 mais tradicional – com Romano no lugar de Rui – a equipa estava decidida a ir para cima do adversário. Porém, as pernas e os pulmões, que já não são assim tantos, começaram a ceder e em vez de atacar a equipa começou a defender, perigosamente, atrás. Todavia, foi num lance de posse de bola Coxa que os Africans fizeram o golo. Aos 5 minutos da segunda parte, Romano falha o passe em zona proibida e Paulo Paulos fica sem oposição para fazer o golo.

A partir desse momento foi o descalabro. Paulos e Machado aumentaram, numa questão de minutos, o score para 0-4. Foram uma série de passes falhados, maus posicionamentos e falta de velocidade que ditaram o avolumar do resultado. A exibição, até então muito certa, passou a ser uma terrível sucessão de erros.

Os Africans marcaram mais dois golos, os Coxos continuaram a falhar demasiadas oportunidades mas já nada disso importava. Os Coxos perderam este jogo no momento do 0-1. Tudo o que veio a seguir foi apenas ‘bater no ceguinho’. A equipa, sem capacidade de finalização e com inacreditáveis erros defensivos, não pode acalentar a qualificação em provas mais exigentes sem resolver essas deficiências.

Fica a tristeza e a mágoa espalhado por todo o Império Coxo, uma vez que, pela primeira vez na sua história, os Coxos não vão ficar nos quatro primeiros lugares da Liga CS. Neste que pode ter sido o torneio da despedida, os adeptos, dirigentes e jogadores não conseguiram conter as lágrimas pelo insucesso desportivo. E começou tão bem este torneio…

Falta mais um jogo, terça-feira contra os Atoldainhos, mas o mesmo serve apenas para cumprir calendário para ambas as equipas. A única decisão possível é saber quem fica em 5º e quem fica em 6º, isto é, em último ou penúltimo.

Depois do torneio de CS, os Coxos ainda vão organizar mais uns desafios de despedida da temporada. Pelo blogue iremos anunciar os mesmos aquando da sua marcação. 
_______________________________________________________________________________________________
Notas:

Teixeira: 7. Quando um guarda-redes sofre 6 golos, não se pode dizer que a exibição tenha sido particularmente conseguida. Porém, Teixeira ficou sem hipóteses em todos os lances e acabou por ser a maior vítima da derrocada Coxa. Não merecia.

Rui: 8. Não comprometeu enquanto esteve em campo, mas também não criou muita coisa. Não conseguiu dar uso ao seu pontapé – de longe, o seu maior argumento – nem ser um elemento eficaz no ataque, para onde foi jogar na segunda parte. Mas, Rui cumpre com as tarefas que lhe são pedidas e não costuma comprometer. Também não foi por ele que as coisas descambaram.

Phillipe: 9. Os olhos estavam todos sob o capitão. Depois da péssima exibição no jogo frente aos Dinos, os adeptos queriam perceber em que estado se encontrava o seu capitão. E, Phillipe correspondeu. Seguro atrás, não permitiu veleidades quer a Machado, quer a Paulo e muito menos a Isaac, ganhando os duelos individuais. Tentou ajudar a equipa no ataque e foi uma permanente voz de comando. Porém, as suas limitações no plano ofensivo do jogo acabam por retrair em demasia a equipa quando ela precisa de se estender no terreno. Exibição quase positiva.

Sabino: 8. O pulmão de Marcos morreu a meio da primeira parte. Muito lutador, preteriu os dribles pela luta corpo a corpo. Regra geral, perdeu perante Topi no confronto físico, mas lutou e batalhou imenso. As melhores oportunidades vieram todas dos seus pés. É um bom jogador, pena ter menos pulmão que os outros.

Tricky: 7. Exibição estranhamente cinzenta do Animal. A raça esteve lá, mas o remate, a perseverança e a qualidade no pressing, não foram as mesmas. Tricky pareceu estar muito cansado, fruto de uma época cheia de emoções e de uma passagem pelo Praça da Alegria FC. Os Coxos precisam do seu Animal no melhor das suas forças físicas, no topo da sua condição e já exigem o Mundo de Tricky, uma vez que ele os habituou a grandes noites de futsal. Esperemos que melhore no próximo jogo.

Romano: 6. Nota 20 pela demonstração de força e pela vontade de estar presente no campo. Apesar de quase morto, deslocou-se ao Municipal de Gualtar e deu mostras de enorme profissionalismo e amor pelo clube. Mas, em campo, as coisas não lhe saíram bem. Falhou uma quantidade anormal de passes, esteve lento e comprometeu em lances de golo da equipa adversária. Pelo seu amor pelos Coxos desejamos as melhoras e que no próximo jogo volte a ser o velho  Romano “a jogar sem estar sempre a reclamar. Tá na na Tá nana”.