No jogo do regresso do Império Coxeano verificou-se um autêntico festival de golos. Eles foram de calcanhar, eles foram de fora da área. Na verdade, foram golos para todos os gostos. O resultado, esse, é que ninguém sabe muito bem, pois a este cronista chegarem ecos de um resultado de 15-13, mas outros vieram a terreiro defender o 14-12. Todavia, são estas quezílias menores, pois o mais importante é que a Nação Coxeana regressou ao activo e que assegurou a sua massa adepta de que ainda sabe fazer aquilo que faz melhor: abrilhantar o futsal académico.
O jogo estava marcado para as 10 horas e o adversário era de respeito: Neri Friends, uma espécie de reformulação temporária da lendária equipa “Torpedos”, actual detentora do título de campeã de CS. Os 6 jogadores coxeanos convocados compareceram, evidenciando uma natural boa disposição e vontade de enfrentar o desafio.
Porém, antes do jogo começar um primeiro revés: problemas burocráticos e diplomáticos afastaram alguns jogadores da equipa contrária que, por isso mesmo, estava apenas com quatro jogadores. Ora, para equilibrar a balança, a Nação Coxeana disponibilizou um jogador, num sistema rotativo, para completar o leque de opções dos Neri Friends. O escolhido foi il directore, Rui Rocha.
Assim, a equipa de todos nós começou a jogar com um cinco em tudo semelhante àquele que terminou a última época: Teixeira na baliza, Phillipe e Romano na retaguarda, permitindo a Tricky e Sabino liberdade de movimentos na frente de ataque. Inicialmente, a equipa Coxeana demonstrou um grande à vontade de procedimentos, alegremente trocando a bola e conseguindo chegar à baliza contrária com relativa facilidade. Porém, o problema – o eterno problema – da finalização esteve também ele presente, evidenciado pela aparente incapacidade da equipa em concretizar as oportunidades que iam surgindo.
Do outro lado residia uma equipa cínica. Neri Santos não perdoa e rapidamente inaugurou o marcador após alguma confusão na área Coxeana. Depois do 0-1, Rui veio ocupar o lugar de Tricky, que foi defender as redes contrárias. Essa troca terá baralhado os mecanismos de transição da equipa Coxa, pois pouco depois o canarinho Paulo encostou para o 0-2, após trabalho de Neri na direita. O próximo jogador a passar para o ‘lado de lá’ foi o próprio capitão, Phillipe Vieira, que tanto agradou aos Neri Friends que foi convidado a permanecer naquela equipa até ao final da partida.
Com um cinco estabilizado em Rui na defesa, Romano a fazer a função de box to box e Tricky a combinar com Sabino no ataque, a equipa Coxeana foi mais perigosa e incisiva. Depois do 0-3, conseguiu reduzir para 1-3 por intermédio do nº11, Carlos Ferreira, ou seja, Tricky Tricky.
A equipa foi evidenciando melhores processos de jogo, conseguindo sistematicamente impedir que os Neri Friends se fossem distanciando no marcador tendo, inclusive, empatado o jogo a 8 com um golo do animal peludo, Tricky. Porém, foi o capitão, sim o capitão Coxo, quem desfez a igualdade no marcador ao finalizar uma jogada de entendimento com Neri. O capitão não festejou o golo, atitude que foi apreciada pela moldura humana presente.
Desse momento em frente os Neri Friends não mais perderam o domínio do jogo, apesar de os Coxos terem encurtado a desvantagem para apenas 1 golo. O facto de a equipa perneta ter enviado várias vezes o esférico aos postes da baliza contrária também não ajudou muito a optimizar os processos de jogo ofensivo, numa partida em que a defesa voltou a cometer alguns erros comuns do passado, mas em que o ataque se mostrou mais incisivo e, embora ainda bastante perdulário, mais eficaz e concretizador.
Com o resultado em 14-13 (ou 13-12) Phillipe encostou a passe de Paulo e marcou o último golo de uma partida que teve belos momentos de futebol, muitos golos e de onde se pode retirar a certeza de que Os Coxos estão prontos para aquilo quer der e vier. E a Liga de CS está aí à porta.
No final da partida, Neri deu conta da “satisfação” reinante no balneário com o resultado e pela exibição de Phillipe Vieira: “Não pode ter sido fácil, mas ele portou-se bem. Só demonstra o seu carácter [a decisão de não festejar os dois golos]”.
Pelo lado Coxo, Pedro Romano sublinhou que gostou da “atitude” dos jogadores, lamentou a “falta de sorte” em relação ao envio das bolas ao poste mas assegurou que quando chegar a competição oficial “os Coxos vão estar a 110 %”. Sobre reforços, não quis adiantar nada, embora tenha lançado a ideia de que “as inscrições ainda não fecharam”.
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Notas:
Teixeira: 12. Foi um jogo demasiado ingrato para o guardião que ainda chegou a jogar à frente. Teve algumas boas intervenções mas foi deixado sozinho vezes demais. No entanto, fica a ideia de que poderia ter feito mais em alguns lances.
Phillipe: 11. Esteve pouco tempo em campo o capitão Coxo. Apenas 10 minutos não serviram para os adeptos Coxos matarem as saudades do seu menino. Bons pormenores na defesa, bons passes, mas nada de particularmente especial. Foi pouco tempo para brilhar.
Romano: 15. Defendeu, correu, passou, rematou e marcou. Foi um jogo completo de Romano que voltou a dar mostras de grande capacidade táctica e de alguma técnica. Precisará de debelar alguns problemas físicos para poder fazer ainda mais a diferença.
Tricky: 16. Começa a tornar-se rotineiro considerar Tricky o melhor jogador Coxo em campo. Mas, a verdade é que o peludinho lutou muito pela bola e na sua raça habitual não deixou em paz os seus adversários. Foi o goleador da manhã (terão sido 7 ou 8?) e mesmo quando se esgotou fisicamente não deixou de lutar pela bola e de criar perigo. Um caso sério do futsal universitário.
Sabino: 13. Anda cansado Sabino. O estudo que faz sobre a evolução do homem, na tentativa de contrariar as explicações de Darwin, têm alterado a pacatez que caracterizava a sua vida. O jovem já não tem os seus horários certos para comer, dormir e lavar o cabelo, o que teve impacto no seu jogo. Particularmente desinspirado nos lances de um para um, falhou demasiadas bolas de golo, sendo o artilheiro da manhã em bolas ao poste. Não deixou de evidenciar alguma falta de ritmo e displicência na hora do remate, preferindo sempre o drible.
Rui: 12. O Director marcou o golo mais bonito do desafio. Pleno de intenção, encheu o pé direito e colocou a bola na gaveta da baliza adversária. Um golo para recordar e que relembra aquilo que Rui pode dar à equipa. E disse bem, relembrar, pois de resto o jogador não esteve inspirado na defesa, altercando alguns bons cortes com outras decisões (mentalmente?) questionáveis. Contudo, mostrou bons dotes na baliza, podendo ser um caso a estudar se algum dia for necessário um substituto para o único jogador sem suplente, Teixeira.
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Por eles jogaram:
Neri: 17. O jovem vianense demonstrou que está num campeonato à parte em relação aos restantes colegas e adversários. Pleno de convicção e qualidade de jogo é daqueles jogadores com quem é fácil jogar e que resolve a partida. Delicioso.
Alex: 15. Naquele seu jeito atabalhoado lá vai fazendo o gosto ao pé. É daqueles jogadores que não reúne consenso, mas que regra geral marca sempre o seu golo. Pelo menos, na Liga de CS é assim. Agora, quando se trata do Torneio do Reitor a coisa complica-se, não é Gusto?
Paulo: 15. Uma agradável surpresa. O internacional brasileiro esteve em bom plano, finalizando um lance de calcanhar e demonstrando atributos quando com a bola nos pés. É um jogador interessante, uma mais-valia para os Torpedos na Liga de CS.
António Beckham: 13. Nem ele contava jogar. Assim se pode definir a exibição de António, o jovem que Alex foi recrutar ao ginásio. Esteve confuso o jogo todo, baralhando as suas contas e as dos colegas. O que vale é que também confundiu os adversários e acabou por ser um jogador útil na manobra defensiva.
Rui: 11. Jogou uns minutos pela equipa adversária e ainda foi a tempo de fazer uma bela defesa aos pés de Tricky. Depois, passou para o lado Coxo assinou o golo do jogo.
Tricky: 10. Tricky não sabe jogar mal, mas esteve tão pouco tempo na baliza contrária que acabou por nem tocar na bola.
Phillipe: 15. O capitão Coxo jogou pelo adversário e marcou dois golos, fez cortes impossíveis e segurou a vantagem dos Neri Friends. Numa exibição de total profissionalismo, entregou-se ao jogo e mostrou que o tempo em Manchester lhe ensinou algumas coisas. Porém, não conseguiu deixar esconder a sua tristeza por marcar aos Coxos. Não festejou o primeiro e correu para o balneário a seguir ao segundo.





