Arquivo de Abril, 2007

h1

Coxos perdem contra… Deus

Abril 28, 2007

Agora sim, os jogadores Coxeanos podem dizer que já viram tudo. Em preparação para o jogo contra “Os Dez”, tudo ia conforme ditam as regras da normalidade. Ou seja, a prelecção orientada pela nova equipa técnica correu bem e as indicações tácticas compreendidas. Restava subir para o campo, aquecer e conhecer os adversários.

Foi precisamente aí que se deram os primeiros prenúncios de azar para a equipa. Chegados ao piso de jogo foi evidente que seria necessário que uma das equipas alterasse o seu equipamento porque ambas vestiam de encarnado. Calhou essa sorte aos Coxos, que se viram obrigados a jogar em tons de verde limão.

Porém, o golpe mais rude de todos foi quando os bravos Coxeanos viram que Deus era… um dos “Dez”! Equipado com a camisa 81, “Deus” demonstrava os seus dotes no aquecimento. Decididamente, a sorte não ia estar com os Coxos.

Terminados os preparativos, começou o jogo. Os Coxos, com Teixeira na baliza, Phillipe na função de libero, Daniel e Sabino nas alas e Tricky em cunha começaram melhor do que o adversário, revelando algumas combinações ofensivas que desconsertaram os “Dez”.

Todavia, passados os primeiros minutos, a equipa contrária recompôs-se e, mais do que isso, começou a “deixar” Deus jogar. O 81 jogava e fazia jogar, demonstrando, desde cedo, ser um elemento acima da média em relação a companheiros e adversários. A primeira mostra de talento deu-se numa vírgula sobre Marcos, cruzando na linha obrigando Phillipe a tirar a bola em cima da linha. O aviso estava dado: Era preciso ter cuidado com Deus.

A equipa Coxeana, revelando bom entrosamento defensivo mas inexistente força ofensiva, foi aguentando a pressão adversária e contava com as deambulações de Daniel e Sabino para desorganizar a defesa contrária. Prova disso foi o lance aos dez minutos em que Sabino serviu Daniel na perfeição, mas o 7 Coxeano não conseguiu driblar o guarda-redes Júlio e viu-se gorada uma oportunidade de golo para os Coxos.

Não marcando, os Coxos sofreram. Pouco passava da metade da primeira parte quando, em remate de fora da área, Teixeira foi enganado por um ressalto da bola e os “Dez” se adiantaram no marcador.

Sentindo a necessidade de apostar um pouco mais no ataque, os Coxos abriram a frente mas os remates de meia-distância de Tricky e Phillipe foram, invariavelmente, parar às mãos do guardião adversário.

Assim, sobre o apito para o intervalo, em reposição lateral, os Dez marcaram o 2º golo. Deus, mais uma vez, efectuou a reposição, Teixeira não amarrou a bola e Rei encostou ao 2º poste. Estava feito o 0-2 e os Coxos tinham tudo por fazer.

Para a segunda parte, os Coxos apareceram motivados. Sem descurar a defesa, a equipa de uma só perna atacou a baliza contrária e foi a vez do guarda-redes Júlio evidenciar-se como o herói da tarde, com um punhado de intervenções a remate de Tricky, Daniel, Marcos e Rui que valeram a manutenção da vantagem no marcador.

Foi com a equipa balanceada no ataque que os Coxos sofreram dois golos de rajada. O 3º, após brilhante jogada adversária – enriquecida com um delicioso pormenor de Deus, com uma assistência de calcanhar – o 4º, após lance confuso na área e, depois de vários ressaltos, a bola sobrou para JB que apenas teve de encostar.

Apostados em não baixar os braços, os Coxos continuaram a pressionar os adversários e, após recuperação de Phillipe no meio campo, a bola chegou aos pés de Tricky que, desembaraçando-se sem problemas de dois adversários, culminou a jogada com um remate colocado ao poste esquerdo da baliza. Estava feito o tento de honra. Pouco depois, em lance de bola parada, a bola chegou ao avançado “Dez” e esse aplicou uma chapelada a Teixeira para fechar o resultado em 1-5.

Contra uma equipa tecnicamente superior os Coxos bateram-se bem mas acabaram por sucumbir a uma derrota natural. Se, na primeira parte, a equipa conseguiu apresentar uma assinalável consistência defensiva mas uma assustadora e inexistente presença ofensiva continuada, na segunda os heróis de uma só perna equilibraram os pratos no ataque, sofrendo 3 golos em resultado de lances fortuitos. Ficou, no entanto, a ideia de que as equipas eram perfeitamente niveladas, com Deus a fazer a balança pender para o lado dos “Dez”.

Para o futuro, a equipa terá de ser capaz de manter a solidez defensiva e melhorar os índices físicos e de aproveitamento ofensivo. Com o plantel recomposto, após a reintegração de Romano, essa poderá, mais facilmente, ser uma realidade.

Após a partida, o capitão da equipa, Phillipe Vieira, deu conta do “desalento” vivido no balneário, apenas vincando que “o espírito Coxo não se deixa afectar pelos maus resultados. A vitória vai aparecer. Temos de continuar a insistir. Um Coxo nunca desiste!”, rematou.

Avaliações Individuais:

Teixeira: 9. Duas manchas brilhantes não chegam para eliminar da memória o lapso no segundo golo. Esteve melhor entre os postes e na comunicação com a defesa. Revelou, inclusive, alguma solidez nos remates de longa distância. Todavia, a sua subida ao ataque na segunda parte poderia ter causado mais prejuízo do que proveito. Mesmo assim, exibição genericamente positiva. Só pode melhorar.

Phillipe: 12. O capitão deu tudo pela equipa. Correu, cortou, passou, rematou, fez faltas. Não foi por falta de entrega que a exibição não foi superior. Porém, o facto de jogar muito longe do ataque, faz com que a equipa fique muito curta quando está em campo, dando a ideia de estar sem soluções. Melhorou nesse aspecto quando jogou com Rui, alternando com este as subidas à área adversária, criando desequilíbrios que permitiram jogadas perigosas para a baliza adversária. Está no rumo certo.

Sabino: 10. Atravessa uma crise de confiança que perturba o seu jogo. A defender mostrou-se capaz, mas a atacar apenas por duas vezes conseguiu iludir os adversários com as suas fintas desconcertantes. A equipa ressente-se da indecisão que afecta as suas performances. Pouco preciso no remate, tem também de melhorar no capítulo do passe e na desmarcação. A rever.

Daniel: 11. Terá feito a exibição mais conseguida esta época do ponto-de-vista físico. Aguentou-se e já conseguiu ganhar alguns lances em velocidade. Porém, a fraqueza e falta de direcção dos seus remates são, por vezes, enervantes. Terá, também, de melhorar no aspecto da combinação com os colegas de frente de ataque e ser mais espevito na hora de visar a baliza contrária. Em crescendo.

Tricky: 13. Será, provavelmente, o mais consistente jogador Coxeano. Tricky não sabe jogar mal. Ora na defesa, ora no ataque, o peludo nº11 mostra-se sempre eficiente. Roubou inúmeras bolas – foi, a par do capitão, o único jogador que tirou bolas a Deus – e foi o mais rematador, sendo, merecidamente, premiado com a marcação do golo Coxeano. Nunca desiste do lance, independentemente do resultado, e é um exemplo de entrega e dedicação ao jogo. O Melhor.

Rui: 10. O seu jogo revela-se, vezes demais, inexpressivo, inconsequente. Abnegado a defender, esforçado a atacar, Rui evidencia problemas de colocação e leitura de jogo que o impedem de ir mais além. Contudo, foi precioso nalguns movimentos defensivos e – sobretudo – ofensivos, nomeadamente em tabelas com Tricky e Marcos. A equipa precisa dele e Rui terá de aprender a usar melhor o seu grande argumento: o remate de longa distância. Teve duas oportunidades, e em nenhuma acertou com a baliza. Mais trabalho.

h1

Teixeira In, Romano Out

Abril 27, 2007

A Direcção autorizou, os jogadores aceitaram e a participação vai mesmo ter lugar. Os Coxos dão, então, logo à tarde início à sua participação no Torneio do GAEB.

O jogo, aprazado para as 16 horas, terá como adversário “Os Dez”, equipa de renome universitário. A equipa agora comandada pela dupla Phillipe Vieira e Tricky Ferreira encontra-se quase na máxima força.

Teixeira conseguiu libertação do compromisso laboral que colocou em perigo a sua participação na partida e, assim, estará à disposição da dupla técnica. Porém, já Pedro Romano não recuperou de uma entorse registada na última partida e não poderá dar o seu contributo à equipa perneta.

Mesmo assim, a confiança está em alta. O capitão, Phillipe Vieira, fez questão de reforçar essa ideia na conferência de imprensa de ontem: “O grupo está moralizado. Passámos por um momento difícil, mas agora só temos olhos para a vitória no jogo de amanhã [hoje]. A Direcção, os jogadores e os adeptos merecem essa vitória”.

O tempo das palavras acabou. Agora, os Coxos vão entrar em campo e dar tudo pela vitória. Se terão, ou não sucesso, saber-se-á hoje, pelas 16h nos campos exteriores do complexo desportivo da UM.

h1

Coxos ponderam participação no Torneio do GAEB

Abril 24, 2007

A Direcção d’Os Coxos Futebol Clube vem por este meio comunicar aos seus associados e simpatizantes que pondera, neste momento, a anuição à participação da sua equipa de futebol no Torneio da modalidade organizado pelo Gabinete de Alunos de Engenharia Biomédica (GAEB).

A dúvida da participação prende-se com o facto de a primeira fase do mesmo ter realização prevista para os campos exteriores do complexo desportivo da Universidade do Minho, e não no pavilhão minhoto, como estava inicialmente previsto.

As razões para a alteração são válidas, porém a nação Coxeana reserva-se no direito de anular a sua inscrição pelo incumprimento, da responsabilidade da outra parte, de uma das premissas iniciais do mesmo.

O jogo está previsto para sexta-feira, às 16h nos campos exteriores do complexo. Caso a equipa Coxeana participe, o seu adversário será “Os Dez”, agremiação acerca da qual pouco se sabe.

A Direcção manterá os seus milhares de adeptos informados acerca desta questão.

h1

Notificação Presidencial

Abril 19, 2007

Em virtude das mais recentes notícias vindas a público, cabe-me, na qualidade de Presidente d’Os Coxos Futebol Clube, vir esclarecer qual a posição oficial da instituição em toda esta polémica.

Em primeiro lugar é preciso esclarecer um ponto: Os Coxos Futebol Clube são, obviamente, maiores do que uma só pessoa. Qualquer um dos jogadores da equipa sabe que o mais importante é o grupo. Todos têm consciência de que são apenas partes de um todo. Exactamente por isso, não se poderá ver nesta decisão de Pedro Romano um prenúncio de definhamento da nossa Instituição. Os Coxos sobreviverão sempre enquanto grupo desportivo e recreativo.

Feito esta explicação, surge a necessidade de debater a questão em torno do pedido de demissão de Pedro Romano. A Direcção encara o sub-capitão como um activo válido e importante para a equipa. Assim sendo, é sua intenção procurar assegurar a continuidade do nº5.

Procuraremos perceber as razões que motivaram o pedido de Pedro Romano assim como tentar criar as condições necessárias para a sua manutenção na equipa. Aliás, achamos perfeitamente viável a criação de uma plataforma de entendimento que permite a continuidade desportiva de Pedro Romano, se bem que já sem as funções que anteriormente desempenhava.

Compreendemos, perfeitamente, a frustração que atinge o treinador em virtude dos últimos resultados – principalmente do último. Porém, esse desalento é extensivo a todo o grupo de trabalho. Não achamos que seja correcto resumir-se a participação num projecto como este apenas pelos resultados. Ser jogador/membro integrante d’Os Coxos significa, forçosamente, muito mais do que aquilo que se passa dentro de campo.

Há um aspecto que torna Os Coxos diferente e especial quando comparado com outras agremiações: o espírito de grupo e amizade que une os jogadores. Sempre nos pautámos por uma camaradagem superior a qualquer resultado, por mais bons ou maus que fossem. Aquilo que nos liga não é o jogo, mas sim a amizade e a vontade em desfrutar do jogo juntos.

O aliciante, no plano desportivo, ao longo deste ano e meio de Coxos tem si verificar o crescimento da equipa em campo. Claro que tem havido alguns passos em falso. Porém, e no essencial, os Coxos mostram-se fortes e vigorosos, não devendo este último jogo amigável ser encarado como um espelho da realidade da equipa encarnada.

No entanto, não podemos ignorar o desconforto causado junto do grupo por esta situação. A equipa sente a falta do seu treinador e, ainda mais, do seu sub-capitão. Contudo, e enquanto esta situação não estiver devidamente resolvida, é decisão da Direcção que Pedro Romano seja, ainda que temporariamente, substituído nos cargos que ocupava até ontem, exactamente para permitir o funcionamento adequado do clube.

Posto isso, foi decidido que o posto de treinador será repartido, interinamente, pelo capitão de equipa, Phillipe Vieira, e pelo recém promovido sub-capitão, Carlos “Tricky” Ferreira.
Mais, foi também decidido que Rui Rocha passará a ser o Vice-Presidente, cargo que acumulará com o anterior de Presidente da Mesa da AG. A restante distribuição orgânica manter-se-á imutável.

Queremos assegurar os nossos sócios da nossa crença de que é possível resolver este assunto de modo a servir os desejos e pretensões de ambas as partes. Todavia, enquanto que o caso não estiver solucionado chamo a mim todas as responsabilidades da gestão da vida quotidiana d’Os Coxos Futebol Clube.

Despeço-me com um bem-haja a todos os nossos adeptos e simpatizantes, ressegurando-os de que o assunto em causa está a ser tratado de acordo com os trâmites adequados.

Cumprimentos Coxeanos,

Phillipe Vieira

h1

Game over

Abril 18, 2007

Depois da exibição que Os Coxos hoje fizeram em terreno atoladinho (derrota por 4-3, apesar de um golo mal anulado) considero que não há mais condições para a minha manutenção na equipa – quer enquanto jogador, quer enquanto treinador.

Assim, anuncio aqui a minha retirada, ao mesmo tempo que aproveito para dizer ao mercado que estou disponível para discutir propostas. Apesar da saída, asseguro que estou em forma e pronto a marcar golos (ainda que por outras formações).

Um último obrigado aos leitores do blogue e aos meus colega de equipa, com quem vivi alguns momentos de grande euforia e satisfação.

———-

Pedro Romano

h1

Hugo Torres atoladinho

Abril 17, 2007

Esta semana, e ao contrário do que tem vindo a suceder, Hugo Torres não pôde publicar a sua afamada crónica Um Toque. Razões do foro íntimo e dores intestinais agudas obrigaram, infelizmente, o cronista a protelar para domingo a quarta parte da sua história interminável. Os Coxos compreendem a situação e desejam as melhoras ao líder do portal Rascunho.

Parou Hugo Torres mas Os Coxos continuam em força. E, enquanto o ICS Docentes All-Star não entra em campo, a equipa de uma só perna afina baterias com a menos requisitada (mas infinitamente mais patética) formação caloira dos Atoladinhos, espécie de grémio onde a homossexualidade pulula em cada recanto. O jogo está marcado para amanhã, às 16h, no Complexo Desportivo Exterior da Universidade do Minho. Na casa dos Atoladinhos, o jogo será por certo renhido e com muito sangue à mistura, não fosse o terreno de jogo um relvado sintético cheio de areia bem abrasiva. Como de costume, o jogo será filmado.

———-

Pedro Romano

h1

Cara de pau e falta de vergonha

Abril 15, 2007

Nos últimos tempos têm vindo a lume notícias que não correspondem à realidade. A última delas dizia respeito à vinda de Mantorras para Os Coxos Futebol Clube, transferência essa que estaria alegadamente a ser ultimada entre o presidente benfiquista Filipe Vieira e o seu homólogo Coxeano Phillipe Vieira. A respeito disto, tem a sacrossanta Instituição Coxeana três coisas a dizer.

1. Os jogadores Coxeanos – entre os quais o seu presidente, uma vez que é presidente-jogador – têm apenas dois órgãos de comunicação através dos quais se podem expressar. São eles o jornal digital ComUM online e o blogue Coxeano.

2. Os Coxos Futebol Clube não procuram avançado no mercado. Estão, aliás, bastante satisfeitos com a prestação de «Tricky», que se tem revelado um jogador cada vez mais influente. Isto para não falar no facto de ter mais pêlos na ponta dos pés do que o Mantorras no corpo todo.

3. Os Coxos Futebol Clube sabe perfeitamente quem está por detrás desta vergonhosa manobra ludibriatória: a vergonhosa equipa dos Atoladinhos. O que não espanta: quando não se ganha em campo, tenta-se fazê-lo fora das quatro linhas.

———-

Departamento de Comunicação de Os Coxos

h1

Brevemente: Docentes do ICS versus Os Coxos!

Abril 10, 2007

Os Coxos estão possessos. E as novidades, claro, irrompem pelo Universo Coxeano, uma após outra, sem cessar. Desta vez, não foi sequer preciso esperar dois dias. Ontem confirmou-se a participação da turma de uma só perna no Torneio de Engenharia Biomédica; hoje, é a vez d’Os Coxos revelarem ao mundo que se preparam para defrontar uma equipa composta por docentes do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

A novidade é grande, vamos por pontos. Tudo começou por iniciativa d’Os Coxos, que contactaram Luís Santos, digníssimo representante da All-Star ICS Docentes. Numa longa e profícua troca de e-mails (ao longo da qual alguns impropérios foram desferidos – mind games, evidentemente), o antigo jornalista da BBC confirmou que os professores do curso de Comunicação Social da Universidade do Minho estão dispostos a defrontar a equipa Coxeana logo que um horário esteja acertado.

O jogo, que se espera de qualidade, terá assim lugar logo que as circunstâncias e os horários o permitam, numa partida que, de resto, será certamente marcada pela pluviosa afluência do público (mais concretamente dos sócios Coxeanos) ao estádio. Mas, enquanto o encontro não se realiza, Os Coxos tencionam preparar convenientemente a partida. Foi, aliás, nesse sentido que o Departamento de análise dos adversários Coxeano já andou a espiolhar o All-Star ICS Docentes. E descobriu que a equipa tem armas várias. Paulo Nossa, por exemplo, dá segurança à defesa, fazendo uma magistral administração do espaço defensivo. As bolas paradas de Alberto Sá também não se afiguram fáceis de parar para o guarda-redes Alberto Teixeira. E, no sector ofensivo, é Moisés Martins quem dá sentido (ou seja, finaliza) às primorosas assistências do pivot Orlando Petiz, jogador de muitos recursos técnicos.

P.S.- Dada a importância da partida, a equipa Coxeana está a ponderar a possibilidade de, pela primeira vez, colocar on-line todo o jogo (ao invés do resumo alargado que até agora tem prevalecido). Sugestões e opiniões na caixa de comentários.

———-

Departamento de Comunicação de Os Coxos  

h1

Lesão pode afastar Tricky do Torneio do GAEB

Abril 10, 2007

O nº11 Coxeano, também carinhosamente apelidado por “Tony Ramos”, contraiu ontem uma entorse no tornozelo direito e está em dúvida para o Torneio do Gabinete de Alunos de Engenharia Biomédica (GAEB), o primeiro de 2007.

A poucos dias do início do torneio, Carlos “Tricky” Ferreira lesionou-se num jogo de beneficência que decorreu no campo de jogos de Nogueira e, apesar de a lesão ainda não ter sido reavaliada, é certo que o jogador vai parar pelo menos uma semana. Porém, ainda não nos foi possível confirmar se o jogador vai falhar algum encontro.

Em declarações ao site Coxeano, Tricky afirmou sentir muita vontade em regressar ao activo. “Vou cumprir todas as recomendações do departamento médico, pois o mais importante é recuperar depressa para ajudar a equipa no torneio que se avizinha”.

Os Coxos FC no grupo B

Já são conhecidos os grupos para o Torneio do GAEB. Numa cerimónia que decorreu na casa de um dos membros da organização (ver aqui), Os Coxos FC ficaram a saber que vão integrar o grupo B. Juntamente com a turma de só uma perna estão também os Mujjaidin, Os Dez e a equipa de LCC.

Visite o site do GAEB para conhecer os restantes grupos.

———-

Departamento de Comunicação de Os Coxos

h1

Um Toque: recarga ao segundo remate

Abril 8, 2007

O Carlos era acólito. E penso que rumou mesmo a um Seminário – pelo menos até arranjar namorada; ou sem menos, que uma coisa não implica inteiramente a outra e na realidade nunca me inteirei sobre o assunto. Era meu colega de secretária numa ou duas aulas, já não recordo com acuidade. Era um tipo porreiro e esforçado – hoje, não sei, mas é provável que assim continue –, não me dava nada mal com ele. Tinha um problema qualquer com um dos dentes da frente, que convenientemente andava a tratar, e razão pela qual era insistentemente gozado pela classe alta da turma. Sim, falamos do abstracto, absurdo e muitas vezes aleatório conceito de popularidade, vilmente instaurado entre as gentes de pé para as borbulhas. Como quase sempre pertenci à classe média-alta, dei por mim várias vezes a sucumbir, nos termos descritos imediatamente acima, às tentações dos que ocupavam o topo da hierarquia. Não sei se me arrependo. Há que ter em atenção a conjuntura! Sei, isso sim, que a miudagem consegue ser brutalmente cruel consigo mesma.

Mas é de um dia chuvoso – ou pelo menos demasiado nebuloso – a mais nítida memória que possuo do Carlos. Precisamente nos campos de alcatrão, num jogo de futebol que já não sei por qual das mais rocambolescas razões era implicativo para o ego. A partida, lembro, não corria mal. Contudo, na equipa adversária, o Carlos estava a sair-se bem melhor que eu, julgo até que me havia ultrapassado e barrado passagem umas quantas vezes. Aqui, pertencíamos ambos à mesma classe – a média-baixa. Como não éramos grande coisa com a bola nos pés, servia-nos o dorso mais desenvolvido que os dos outros para a posição de defesa central que se furtava, não raras vezes, às suas estritas funções com bola – já que árbitro era também algo de muito abstracto. E, mais a mais, os tempos de glória a guarda-redes já haviam ficado no 6º ano: havia que a todo o custo afirmar a melhor condição em relação ao outro para poder entrar na equipa principal frente às equipas das restantes turmas. Achei solução: uma sumptuosa e brutal placagem que o pôs no chão, em dores, enquanto me afastava sem a mais curta lufada de ar – que o embate me havia apertado até onde podia os dois pulmões – mas em passo de corrida, orgulhosamente. O Carlos ficou a olhar-me com um ar incrédulo, de porquê interrogado. Exibi uma qualquer juba de conquista e mais não se falou no assunto.

Agora, por que me morreu o Carlos nos sonhos, quase uma década depois, não faço a mais pequena das ideias. Mas, confesso, nunca a morte, tão perto, me foi tão pacífica. Talvez me tenham perdoado.

———-

Hugo Torres