Agora sim, os jogadores Coxeanos podem dizer que já viram tudo. Em preparação para o jogo contra “Os Dez”, tudo ia conforme ditam as regras da normalidade. Ou seja, a prelecção orientada pela nova equipa técnica correu bem e as indicações tácticas compreendidas. Restava subir para o campo, aquecer e conhecer os adversários.
Foi precisamente aí que se deram os primeiros prenúncios de azar para a equipa. Chegados ao piso de jogo foi evidente que seria necessário que uma das equipas alterasse o seu equipamento porque ambas vestiam de encarnado. Calhou essa sorte aos Coxos, que se viram obrigados a jogar em tons de verde limão.
Porém, o golpe mais rude de todos foi quando os bravos Coxeanos viram que Deus era… um dos “Dez”! Equipado com a camisa 81, “Deus” demonstrava os seus dotes no aquecimento. Decididamente, a sorte não ia estar com os Coxos.
Terminados os preparativos, começou o jogo. Os Coxos, com Teixeira na baliza, Phillipe na função de libero, Daniel e Sabino nas alas e Tricky em cunha começaram melhor do que o adversário, revelando algumas combinações ofensivas que desconsertaram os “Dez”.
Todavia, passados os primeiros minutos, a equipa contrária recompôs-se e, mais do que isso, começou a “deixar” Deus jogar. O 81 jogava e fazia jogar, demonstrando, desde cedo, ser um elemento acima da média em relação a companheiros e adversários. A primeira mostra de talento deu-se numa vírgula sobre Marcos, cruzando na linha obrigando Phillipe a tirar a bola em cima da linha. O aviso estava dado: Era preciso ter cuidado com Deus.
A equipa Coxeana, revelando bom entrosamento defensivo mas inexistente força ofensiva, foi aguentando a pressão adversária e contava com as deambulações de Daniel e Sabino para desorganizar a defesa contrária. Prova disso foi o lance aos dez minutos em que Sabino serviu Daniel na perfeição, mas o 7 Coxeano não conseguiu driblar o guarda-redes Júlio e viu-se gorada uma oportunidade de golo para os Coxos.
Não marcando, os Coxos sofreram. Pouco passava da metade da primeira parte quando, em remate de fora da área, Teixeira foi enganado por um ressalto da bola e os “Dez” se adiantaram no marcador.
Sentindo a necessidade de apostar um pouco mais no ataque, os Coxos abriram a frente mas os remates de meia-distância de Tricky e Phillipe foram, invariavelmente, parar às mãos do guardião adversário.
Assim, sobre o apito para o intervalo, em reposição lateral, os Dez marcaram o 2º golo. Deus, mais uma vez, efectuou a reposição, Teixeira não amarrou a bola e Rei encostou ao 2º poste. Estava feito o 0-2 e os Coxos tinham tudo por fazer.
Para a segunda parte, os Coxos apareceram motivados. Sem descurar a defesa, a equipa de uma só perna atacou a baliza contrária e foi a vez do guarda-redes Júlio evidenciar-se como o herói da tarde, com um punhado de intervenções a remate de Tricky, Daniel, Marcos e Rui que valeram a manutenção da vantagem no marcador.
Foi com a equipa balanceada no ataque que os Coxos sofreram dois golos de rajada. O 3º, após brilhante jogada adversária – enriquecida com um delicioso pormenor de Deus, com uma assistência de calcanhar – o 4º, após lance confuso na área e, depois de vários ressaltos, a bola sobrou para JB que apenas teve de encostar.
Apostados em não baixar os braços, os Coxos continuaram a pressionar os adversários e, após recuperação de Phillipe no meio campo, a bola chegou aos pés de Tricky que, desembaraçando-se sem problemas de dois adversários, culminou a jogada com um remate colocado ao poste esquerdo da baliza. Estava feito o tento de honra. Pouco depois, em lance de bola parada, a bola chegou ao avançado “Dez” e esse aplicou uma chapelada a Teixeira para fechar o resultado em 1-5.
Contra uma equipa tecnicamente superior os Coxos bateram-se bem mas acabaram por sucumbir a uma derrota natural. Se, na primeira parte, a equipa conseguiu apresentar uma assinalável consistência defensiva mas uma assustadora e inexistente presença ofensiva continuada, na segunda os heróis de uma só perna equilibraram os pratos no ataque, sofrendo 3 golos em resultado de lances fortuitos. Ficou, no entanto, a ideia de que as equipas eram perfeitamente niveladas, com Deus a fazer a balança pender para o lado dos “Dez”.
Para o futuro, a equipa terá de ser capaz de manter a solidez defensiva e melhorar os índices físicos e de aproveitamento ofensivo. Com o plantel recomposto, após a reintegração de Romano, essa poderá, mais facilmente, ser uma realidade.
Após a partida, o capitão da equipa, Phillipe Vieira, deu conta do “desalento” vivido no balneário, apenas vincando que “o espírito Coxo não se deixa afectar pelos maus resultados. A vitória vai aparecer. Temos de continuar a insistir. Um Coxo nunca desiste!”, rematou.
Avaliações Individuais:
Teixeira: 9. Duas manchas brilhantes não chegam para eliminar da memória o lapso no segundo golo. Esteve melhor entre os postes e na comunicação com a defesa. Revelou, inclusive, alguma solidez nos remates de longa distância. Todavia, a sua subida ao ataque na segunda parte poderia ter causado mais prejuízo do que proveito. Mesmo assim, exibição genericamente positiva. Só pode melhorar.
Phillipe: 12. O capitão deu tudo pela equipa. Correu, cortou, passou, rematou, fez faltas. Não foi por falta de entrega que a exibição não foi superior. Porém, o facto de jogar muito longe do ataque, faz com que a equipa fique muito curta quando está em campo, dando a ideia de estar sem soluções. Melhorou nesse aspecto quando jogou com Rui, alternando com este as subidas à área adversária, criando desequilíbrios que permitiram jogadas perigosas para a baliza adversária. Está no rumo certo.
Sabino: 10. Atravessa uma crise de confiança que perturba o seu jogo. A defender mostrou-se capaz, mas a atacar apenas por duas vezes conseguiu iludir os adversários com as suas fintas desconcertantes. A equipa ressente-se da indecisão que afecta as suas performances. Pouco preciso no remate, tem também de melhorar no capítulo do passe e na desmarcação. A rever.
Daniel: 11. Terá feito a exibição mais conseguida esta época do ponto-de-vista físico. Aguentou-se e já conseguiu ganhar alguns lances em velocidade. Porém, a fraqueza e falta de direcção dos seus remates são, por vezes, enervantes. Terá, também, de melhorar no aspecto da combinação com os colegas de frente de ataque e ser mais espevito na hora de visar a baliza contrária. Em crescendo.
Tricky: 13. Será, provavelmente, o mais consistente jogador Coxeano. Tricky não sabe jogar mal. Ora na defesa, ora no ataque, o peludo nº11 mostra-se sempre eficiente. Roubou inúmeras bolas – foi, a par do capitão, o único jogador que tirou bolas a Deus – e foi o mais rematador, sendo, merecidamente, premiado com a marcação do golo Coxeano. Nunca desiste do lance, independentemente do resultado, e é um exemplo de entrega e dedicação ao jogo. O Melhor.
Rui: 10. O seu jogo revela-se, vezes demais, inexpressivo, inconsequente. Abnegado a defender, esforçado a atacar, Rui evidencia problemas de colocação e leitura de jogo que o impedem de ir mais além. Contudo, foi precioso nalguns movimentos defensivos e – sobretudo – ofensivos, nomeadamente em tabelas com Tricky e Marcos. A equipa precisa dele e Rui terá de aprender a usar melhor o seu grande argumento: o remate de longa distância. Teve duas oportunidades, e em nenhuma acertou com a baliza. Mais trabalho.




