Chovia cá fora. As bancadas, repletas, expiravam futsal. Queriam ver o jogo. Que jogo? O jogo. O “rematch” entre Coxos e Rossas. O jogo dos jogos.
Os sócios Coxeanos fervilhavam. O jogo nunca mais começava. Lá dentro – no balneário – os jogadores incentivavam-se e motivavam-se para o jogo. Teixeira pedia ajuda a S. Jorge, Marcos meditava no chuveiro e Daniel calçava as sapatilhas ao som do hino Coxeano. Enquanto isto, Romano, Phillipe, Tricky e Rui discutiam a táctica a apresentar.
À saída do balneário a primeira salva de palmas. A massa adepta, histérica, aplaudia de pé os seus heróis. Os bravos Coxos começaram o aquecimento, mas antes foram agradecer o apoio das bancadas. Depois, olharam em frente. Olharam nos olhos dos seus opositores. Sem medo. “É pra ganhar”, ouvia-se da bancada. O aquecimento terminou. Hora de jogar.
Os Coxos entraram em campo com Teixeira na baliza, Rui no vector mais recuado, apoiado por Romano à esquerda e Marcos à direita. Numa inovação táctica Tricky foi colocado como homem mais avançado. A consciência defensiva da equipe coxeana era evidente. Num estilo 1X1, os Coxos não davam espaço de manobra aos Rossas e aproveitavam cada abertura para semear o perigo na área contrária. Exemplo disso são algumas triangulações entre os elementos mais avançados que Tricky, primeiro, e Marcos, depois, desperdiçaram.
Porém, a meio da primeira parte o primeiro balde de água fria. Após canto na esquerda do ataque rosseano, a bola fica presa entre Romano e Rui e este, pouco lesto a aliviar, permite que um jogador contrário ganhe possessão da bola e fuzile Teixeira. Estava feito o 0-1, mas a equipa não podia desanimar.
Os Coxos mantiveram a cabeça fria e partiram em busca do empate. Contudo, pouco depois do primeiro, o rosseano Quim fez questão de marcar dois golos. O primeiro, num remate de belo efeito de fora da área, com algumas culpas para Teixeira. O segundo, num livre directo em que a barreira Coxeana estava mal formada.
Foi nesta altura que o mister Coxo mudou a disposição táctica da equipa. Antes do 0-3, Daniel rendera Romano, ocupando a posição mais adiantada no terreno, enquanto que Tricky caiu para a direita e Marcos para a esquerda. Após o bis de Quim, entrou o capitão Phillipe para o lugar do desinspirado Rui.
Nessa altura a equipa estabilizou e conseguiu a coesão tão necessária. O capitão passou a fechar sobre o rosso mais adiantado, ao passo que os restantes passaram a deambular na linha ofensiva, causando o pânico na defesa contrária. Tanto pânico causaram que, pouco antes do intervalo, Daniel, após tabelinha com Marcos, inaugurou o marcador para os Coxos. Era o prenúncio de que as coisas iam mudar após o intervalo. E mudaram mesmo.
Com um cinco assente em Teixeira, Phillipe, Romano, Tricky e Marcos os Coxos entraram com personalidade na segunda parte. Phillipe marcava em cima o nº88 rosseano, enquanto que os três restantes Coxos ganhavam espaços na frente e criavam oportunidades atrás de oportunidades de golo. A bola, mais uma vez, não queira entrar.
Mas, como a defesa se mostrava sólida, a equipa continuava motivada e em busca do segundo golo, que viria a conseguir por intermédio de Tricky – após excelente jogada colectiva e belíssima conclusão individual. Os Coxos estavam inspirados e aguerridos, entrando em cada lance como se fosse o último.
Porém, tamanha disposição física acaba por causar alguns danos e a Nação Coxeana pagou por isso quando, a pouco mais de cinco minutos do final da partida, os Rossas fizeram o 2-4 em boa jogada colectiva que contou com a inspiração de tanto Ibrahim Zé como de Ricky. Os milhares de adeptos ficaram desolados, mas mantiveram o seu apoio firme à causa Coxeana.
Já sem Phillipe e Tricky, mas com Daniel e Rui os Coxos voltaram a reduzir. Marcos, sobre o final da partida entrou na área e foi derrubado pelo 88 rosseano. Rui, sempre ele nas bolas paradas, fez questão de bater a penalidade e da linha dos seis metros fez o 3-4 com que viria a terminar o jogo.
Em suma, pode-se dizer que a sorte nada quis com os Coxos que, mais uma vez, lutaram imenso e viram a vitória escapar por entre os dedos. Num bom e disputado jogo de futsal, os Rossas FC escaparam-se com uma vitória (4-3) num confronto que poderia, em abono da verdade, ter pendido para qualquer um dos lados.
Os Coxos denotaram inúmeras melhorias em relação à última partida, nomeadamente no sector defensivo. Porém, deverão melhorar na finalização e procurar manter a postura aguerrida na defesa durante períodos mais longos da partida. Jogo agridoce: boa exibição, mau resultado.
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As notas:
Teixeira: 10 - Sofreu 4 golos. Isso por si só não é anormal, mas o facto de não ter tido muito mais trabalho e ter culpas em 2 dos golos pesam na nota do guardião. Terá de melhorar no aspecto de construção da barreira e comprar umas lentes progressivas. Melhorou no aspecto da comunicação com a defesa.
Rui: 11 - Apesar do golo no cair do pano, a “rocha” da defesa Coxa nunca deu a tranquilidade necessária. Complicou no lance do primeiro golo e nunca cobriu eficazmente o seu adversário directo, dando muitos espaços nas suas costas. Porém, a penalidade foi muito bem cobrada.
Romano: 12 - O sub-capitão dá mostras de que quer voltar a patentear a qualidade que já demonstrou ao serviço dos Coxos. Muito mais disponível fisicamente, perdeu algumas bolas na defesa mas sem nunca comprometer seriamente a equipa. O seu maior pecado esteve no ataque em que foi demasiado perdulário. Teve duas ou três excelentes ocasiões para marcar, mas não conseguiu.
Tricky: 14 - O “raçudo” como é carinhosamente tratado pelos adeptos teve mais uma exibição positiva ao serviço da Nação. Marcou um belo golo e voltou a manifestar toda a disponibilidade física que o caracteriza, quer a atacar como a defender. Uma boa exibição.
Marcos: 14 - Se Tricky teve uma bela exibição, o mesmo poderá ser aplicado a Marcos. O 9 Coxo esteve irrequieto no ataque e foi uma autêntica carraça na defesa. Manteve sempre a posição e impediu diversos contra-golpes perigosos da equipa do Rossas. E sofreu a falta que originou o penálti. Terá de melhorar na finalização. De parabéns!
Daniel: 13 - Daniel voltou a fazer uma exibição ao nível do “velho” Daniel da época passada. Seguro e tranquilo a defender, rápido e incisivo a atacar, o “desaparecido” esteve em bom plano. Coroou a sua exibição com um golo de belo efeito.
Phillipe: 12 - O capitão teve uma boa exibição. Contra adversários valorosos não eve medo de impor-se pelo físico e assim ganhar os lances na defesa. Poderá ter sido o indício de um novo Phillipe para os próximos jogos. Mais seguro e autoritário, a dar segurança à defesa Coxeana. A acompanhar nos próximos jogos.
P.S.- Segunda-feira serão publicados os vídeos do encontro. Entretanto, as secções Estatísticas e Plantel já foram actualizadas.
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Phillipe Vieira