Foi um jogo emotivo, aquele que Os Coxos ofereceram ontem aos seus associados, nos campos relvados da Universidade do Minho. No jogo de apresentação aos sócios – sócios que, aliás, compareceram em massa, puxando pela equipa durante todo o jogo – Os Coxos demonstraram, mais uma vez, que a ingenuidade de épocas passadas, bem como a inépcia na frente de ataque, já são águas passadas. E, num jogo duro, rasgado e disputado sob intensa chuva, conseguiram manter a invencibilidade de pré-época. Esta foi, aliás, o primeiro empate, depois de várias peladinhas na rodovia (5 jogos vencidos, ao todo) e do retumbante 15-5 do último amigável.
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O jogo teve algumas nuances a registar. O terreno, em primeiro lugar. Escorregadio, lamacento e estranhamente polvilhado com areia, não era, de todo, o mais indicado à prática desportiva. A bola corria rapidamente e os piques e travagens dos jogadores não eram fáceis de efectuar, o que levou a inúmeras perdas de bola. Uma dificuldade que não surgiria sozinha: com efeito, o jogo não foi contra a pura equipa dos DinoFC, mas sim contra um misto DinoFC/VANPLMD, dado que A. Sousa Carvalho e João «Del Neri» Santos jogaram pela equipa dinossáurica.
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Com um terreno pouco recomendável, num campo desconhecido e contra um adversário reforçado, a valorosa equipa Coxeana não tinha a tarefa facilitada. Em tempos remotos, a situação daria azo, quem sabe, a monumental goleada. Mas estes não são os antigos Coxos. São a nova e poderosa equipa Coxeana.
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O jogo encarregou-se de provar isso mesmo. Ainda as equipas estavam a aquecer e já Marcos Sabino facturava. O mesmo jogador viria a fazer o 2-0 e o 3-0 subsequentes, numa altura em que Os Coxos dominavam completamente. Apesar dos DinoFC/VANMPLAD terem reduzido por intermédio de A. Sousa Carvalho, seriam os Coxos a reafirmar a vantagem: grande golo de Tricky para o 4-1.
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Foi nesta altura que o adversário reagiu. De súbito, a equipa Coxeana vacilou: as movimentações pararam, Marcos Sabino deu o estouro, e Pedro Romano e Tricky, até aí bastante activos, baixaram de rendimento. Ao mesmo tempo, João «Del Neri» Santos abria o livro e incentivava a equipa a subir com poderosos raides pela esquerda (nem sempre bem sucedidos mas sempre perigosos), A. Sousa Carvalho acertava com as movimentações e revelava eficácia frente à baliza, Sailor subia de acordo com as indicações do treinador «Del Neri» e Borlido revelava cada vez mais dotes defensivos. Com um ataque cada vez mais morto, uma defesa muito pressionada e o inconveniente de não terem um suplente no banco para rodar, Os Coxos consentiram o 4-4 e, mais tarde, o 5-4.
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Pela primeira vez em desvantagem, Os Coxos foram ao fundo do saco buscar forças para reagir. Marcos Sabino revelou-se, nesse particular, fundamental. É aliás abissal a diferença que a actividade de Sabino consegue fazer no jogo Coxeano: quando Sabino está em baixo, a equipa perde linhas de passe, desgasta-se em termos ofensivos e torna-se mais pressionável; quando Sabino se mexe pela frente de ataque, a equipa cria automaticamente espaços, gera triangulações e consegue pressionar alto. Foi pelos pés do franzino atacante que Os Coxos viriam a chegar ao empate. E o cadavérico avançado viria ainda a participar na jogada mais bonita do encontro: jogada de entendimento na frente de ataque, com a bola a transitar a alta velocidade de Romano para Marcos, deste para Tricky, deste para Marcos que, por fim, devolveria a bola a Tricky para este facturar.
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Os golos suceder-se-iam em ambas as balizas. E, a dois minutos do fim, o marcador assinalava 8-7 para a equipa Coxeana. Parecia que Os Coxos estavam prestes a ganhar o segundo amigável da época e a vingar a humilhação sofrida no ano transacto às mãos dos Dinos. Ledo engano: quando já ninguém esperava, a equipa jurássica conseguiu marcar o golo que lhes garantiu o empate. Um empate suado, já ao cair do pano, mas que premeia a atitude combativa que a equipa demonstrou – ainda que a repartição de pontos acabe por ser castigo demasiado penoso para Os Coxos, que se bateram como guerreiros mesmo quando as adversidades do marcador surgiram e ameaçaram sujar a até agora imaculada folha de registo de jogos da época 2006/7.
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Alberto Teixeira: 15 – Seguro, o keeper coxeano revelou grandes capacidades a fazer a mancha. A lesão e as férias não fizeram mossa na condição do guarda-redes, que continua atento nos remates de meia distância e ágil nos remates dentro da área. A apontar apenas algumas debilidades no jogo com os pés.
Phillipe Vieira: 14 – Phillipe Vieira não é, todos sabemos, um jogador de grande qualidade técnica. Ainda assim, impõe-se pela raça com que se atira a cada lance, com a força que transmite aos companheiros e com a sua capacidade defensiva. Ontem, esteve seguro a defender e chegou, inclusive, a marcar um golo.
Pedro Romano: 13 – Fustigado por uma lesão muscular, e estranhando o terreno, Pedro Romano não conseguiu mostrar as suas melhores capacidades. Lento no ataque, pouco acutilante na hora de rematar, Romano salvou a sua exibição com a consistência com que enfrentou cada duelo individual. Na frente fez ainda um bonito passe entre dois jogadores que isolou Marcos Sabino – e por pouco marcava um golo de antologia, a encher o pé ao segundo poste, num remate que o guarda-redes viria a defender.
Carlos «Tricky» Ferreira: 15 - A raça de sempre, desta vez condimentada com 3 golos e boas movimentações. Como já foi salientado, a partir de certa altura quebrou fisicamente; mas a verdade é que, jogo após jogo, «Tricky» se revela uma unidade extraordinariamente regular, capaz de facturar, dar a marcar e defender com garra e precisão. Mais uma boa exibição.
Marcos Sabino: 16 – Sabino é, cada vez mais, o goleador de serviço. Ontem foram 4 – mas poderiam ter sido 5 ou 6. Movimentações , fintas, golos, assistências – de tudo isto é capaz o ossudo avançado. O único senão é mesmo a sua insuficiência pulmonar, que não lhe permite manter o rendimento ao longo de todo o jogo, e os seus problemas alimentares, que mantêm a sua massa muscular a níveis incompatíveis com uma das mais importantes funções do ponta-de-lança: segurar a bola de costas para a baliza.
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Pedro Romano