Foi bonito de se ver. E o cenário até nem era dos mais favoráveis: Daniel Silva, jogador consagrado e de nível técnico elevado, apareceu, à última hora, como reforço do adversário. A tarefa era difícil mas, à boa moda do futebolês, Os Coxos tornaram-na fácil. Com empenho, suor, garra e, porque não dizê-lo, muita qualidade. O 15-5 final é um reflexo da dedicação com que os jogadores se entregaram à partida; e, ao mesmo, tempo, um tributo a todas as horas de treino, a todos os sacrifícios, a todas as noites sem dormir a gizar a táctica, a todos os fritos e salgadinhos de que os jogadores abdicaram ao longo das férias.
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A história do jogo é curta mas um exórdio exige-se. De um lado, a poderosa equipa de Geologia: Zézé – defesa possante e de bom sentido posicional -, Irmão do Zézé (desculpem mas não captei o nome) – guarda-redes de gabarito -, Luís Filipe Malaínho (ou «Mâla», ou até «Lipe») a comandar o centro da defesa, João (óptimo executante), e os reforços Sousa Carvalho e o já referido Daniel Silva; do outro lado, a imponente turma Coxeana: Rui na baliza, Pedro Romano, Phillipe e «Tricky» na defesa, municiando Zé Pedro e Marcos, os atacantes de serviço.
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E o jogo até começou de feição para a turma Coxeana: ainda o jogo não tinha aquecido e já Pedro Romano furava pelo lado esquerdo e desfeiteava o guarda-redes, após jogada de entendimento com Zé Pedro. Dois minutos depois, os mesmos protagonistas, jogada similar e resultado idêntico: Zé no meio, finta um e finta dois, faz passe em profundidade e aparece Pedro Romano a chutar com convicção. Nestes primeiros minutos era fácil de ver que o entrosamento entre os dois atletas – trabalhado durante anos a fio – poderia fazer miséria nos relvados rodovianos.
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Contudo, e quando tudo faziar esperar um avolumar do marcador, foi a equipa de Geologia/CS que ripostou. Primeiro, com um cruzamento-remate ao qual Sousa Carvalho viria a dar o melhor seguimento; depois, com uma jogada individual de Daniel Silva, que o mesmo jogador finalizaria com um golo de belo efeito.
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Feito o empate, veio ao de cima o já lendário brio Coxeano. O brio Coxeano reificou-se nos pés de Tricky – remate de pé esquerdo e golo na baliza – e, posteriormente, no instinto felino do ponta-de-lança Sabino: grande passe longo de Zé Pedro e Marcos a chutar com categoria. Este foi, aliás e porventura, o melhor período da equipa Coxeana: minutos depois, mais uma grande abertura e… novo golo de Marcos Sabino. O próprio Zé viria a molhar o pincel pouco depois: grande jogada pela direita, bola puxada para o meio e golo. Mas as coisas não ficaram por aqui; ainda antes do intervalo, Rui Rocha – de súbito transformado em atacante – faria, com simplicidade e muita mestria, o 7-2: bola recebida de costas para a baliza, simulação de remate, rotação, finta e chuto potente e colocado. Um pormenor brilhante, que seguramente não passou despercebido ao treinador Coxeano.
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Mas veio o intervalo e, com ele, novo golo do adversário. Sousa Carvalho – sempre ele – ganhou falta à entrada da área (muito discutível…) e, carregando sobre os seus ombros o fardo da responsabilidade, assumiu a marcação da bola parada. Resultado: golo de belo efeito. ´
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Mas o dia era d’Os Coxos. E o 7-3 foi apenas provisório. Uma grande abertura de Zé Pedro (sem dúvida um reforço de peso) deu a Marcos Sabino a oportunidade de facturar e assim colocar o marcador em 8-3. No seguimento, uma jogada de insistência de «Tricky» proporcionou a Pedro Romano a oportunidade de completar o hat-trick com um golo de recarga. O marcador assinalava 9-3 e a fome de golos d’Os Coxos deixava antever um resultado histórico (e, consequentemente, humilhante para o adversário).
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O resultado esperado verificar-se-ia; mas não sem que Daniel Silva marcasse mais um golo de belo efeito, reduzindo para 9-4. De seguida, Alex, entre três jogadores, rodava a marcava o 9-5. Claro que apenas os mais ingénuos podiam ver nesta recuperação incipiente um indício de que Os Coxos estavam a vacilar. Para consubstanciar tal conclusão, Rui marcou golo a passe de Zé; a este seguiram-se os golos de Marcos, de Phillipe, e, novamente, de Marcos Sabino. Aliás, o avançado fechou com chave de ouro o seu poker: remate de letra e guarda-redes batido. Momento sublime.
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E a estória acabou aqui. Zé e Rui dariam por encerrada a humilhação, selando o marcador com um entusiasmante (para apenas um dos lados, fácil de ver) 15-5, mas a vitória há muito que estava assegurada. Neste ponto, urge parar e pensar no que correu melhor, no que correu menos bem e nas causas do resultado.
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É óbvio que a preparação do jogo foi adequada: não só a táctica foi bem escolhida, como – muito importante – o mister Pedro Romano distribuiu, antes do jogo, pacotinhos de açúcar entre os seus jogadores, fornecendo-lhes ainda uma limonada energética caseira. O treinador teve ainda a sensatez de levar para o jogo um garrafão de 5L de água, que bastas vezes refrescou os jogadores. Mas explicar o resultado como causa directa de factores exógenos é redutor. Houve outras causas a actuar.
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A primeira terá sido a contratação temporária de José Pedro. O jogador revelou-se importantíssimo na manobra ofensiva da sua equipa, quer pelo que jogou quer pelo que fez jogar. Um reforço de peso que, infelizmente, não estará presente nos jogos vindouros. A equipa, no seu geral, revelou também uma óptima condição física. Por seu lado, a eficácia atingiu níveis raras vezes vistos no seu do clube Coxo: Marcos esteve imparável, Rui acertou finalmente com o seu potente remate e Pedro Romano foi menos perdulário do que no último treino. A nível ofensivo, de ressaltar ainda o desempenho de «Tricky» – provavelmente o jogador mais regular da equipa – e as movimentações colectivas. No capítulo defensivo, toda a equipa manifestou uma grande disponibilidade para ajudar o sector mais recuado; Phillipe Vieira e Rui Rocha estiveram bastante duros na defesa, manietando os avançados opositores; isto, claro, quando as veleidades destes não eram cortadas logo à nascença pelos médios: «Tricky», Pedro Romano e Zé Pedro (que viria, aliás, a fazer um pezinho como lateral direito).
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Os pontos menos positivos foram algumas desatenções defensivas que culminaram em golos algo ridículos, alguma tendência para relaxar quando o jogo parece controlado, uma por vezes injustificada fome de golos – principalmente quando as movimentações a que ela dá azo desguarnecem a defesa – e alguma falta de confiança nos remates de meia-distância (aspecto em que, hoje, nem «Tricky» – o homem do pontapé-canhão – esteve muito feliz). Aspectos a rever num próximo amigável.
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Rui Rocha: 15 – Mexido no ataque, confiante e determinado na defesa, revelou melhorias em relação ao ano transacto. Teve hoje o seu primeiro treino oficial dado lhe ter sido negado o visto de liberdade laboral por altura do primeiro treino.
Phillipe Vieira: 15 – Melhorou na transacção defesa/ataque em relação às mini-peladinhas de segunda. Mostrou-se agressivo e com muita garra a defender , transmitiu confiança aos seus colegas, o que permitiu aos avançados Coxeanos mais liberdade ofensiva.
Pedro Romano: 16 – Esteve presente desde o início da época no estágio Coxeano e a sua preparação física mostrou-o bem. Com um Romano a este nível, a equipa d’Os Coxos ganha consistência técnico-táctica.
Carlos «Tricky» Ferreira: 17 – Sempre com muita raça, não falhou nenhum lance, meteu o pé a todas as bolas. Disputa todo o jogo sempre com a mesma energia e devoção. Nota-se ligeira melhoria na qualidade e rapidez do passe.
Zé Pedro: 18 – Sem dúvida uma aquisição a prazo de luxo. Com uma visão de jogo impressionante e um toque de bola invejável, deixou a cabeça dos defesas adversários em água. Boa ajuda defensiva a apontar também.
Marcos Sabino: 18 – A pré-época parece estar a fazer bem ao jovem avançado. Já aguentou melhor o jogo todo com uma velocidade e movimentações sem bola muito boas. Apontou 1/3 dos golos da equipa. Com um Sabino assim, Os Coxos podem muito bem tentar aspirar a voos mais altos.
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Pedro Romano (texto) & Marcos Sabino (notas e comentários individuais)